Para Onde Vai a Bolsa?

Por |2018-06-08T07:58:57+00:0023 de julho de 2013|

Essa é a pergunta de um milhão de dólares!

Antes de responder (ou pelo menos tentar), vamos esclarecer uma questão muito importante:

  1. NÃO sou analista
  2. SOU operador

E a diferença, por incrível que pareça, é enorme. Enquanto os analistas têm o direito de errar, e mandar a conta para o Sr. Mercado, nós operadores, precisamos sobreviver nesta tempestade.

para onde vai a bolsa de valores

Tendo isso em vista, vamos tentar entender o momento pelo qual passamos, e buscar soluções para remunerar nosso capital acima do CDI, o que, no fim do dia, é nosso objetivo, ou deveria ser.

Estamos atravessando um ano difícil, com nossa bolsa acumulando uma queda superior a 20%. Após uma queda como essa, em um curto período de tempo, é natural que comecem as especulações sobre o rumo da bolsa. A questão merece muito mais do que uma análise técnica: é uma questão conjuntural.

Vamos a algumas questões:

Deterioração No Cenário (Todos os Cenários…)

O cenário econômico brasileiro, baseado em consumo puxado por expansão do crédito, dá sinais de cansaço.

Além do evidente endividamento gerado pela própria lógica do modelo,  temos uma infra-estrutura deficiente, o que, aliado a falta de controle nas contas públicas, acaba por gerar inflação. O Banco Central, que deveria ser o “Guardião da Moeda”, foi tolerante com esta inflação, baixando os juros por decreto.

Nosso Governo é intervencionista. Ponto.

Nos últimos anos, o governo utilizou a Petrobras para fins políticos e econômicos, fez intervenções no setor bancário, quando baixou os juros dos bancos estatais, obrigando os bancos privados a seguirem o mesmo caminho, e mexeu na regulação do setor elétrico, que sempre foi visto como um porto seguro para os investidores.

Vimos algumas ações do setor se desvalorizando 40, até 50%. Isso sem falar da troca de comando na VALE

Risco Político

As manifestações que vimos nos últimos meses, adicionaram a pitada final de insegurança.

Ainda não conseguimos sequer entender a dimensão do que esta acontecendo, quem dirá as implicações políticas. Temos basicamente 3 cenários possíveis, já pensando nas eleições de 2015:

  • A continuidade do PT no poder. O que já está ruim, pode ficar pior.
  • A volta do PSDB, que, ultimamente, se esforça até para encontrar uma identidade.
  • Uma terceira via, com Marina, Eduardo Campos, etc. Uma incógnita.

Nada causa mais insegurança aos investidores que a mudança. Especialmente quando essa mudança pode ser radical. O resultado é uma onda de pessimismo, como pudemos observar nos primeiros meses do ano.

Perspectivas

Mudanças na política econômica não costumam dar resultado imediato, as eleições não serão antecipadas, os problemas da Europa estão longe de acabar.

Os EUA vão reduzir os estímulos, e a China vai crescer menos, resta saber quando. Tudo isso me parece óbvio, e tem um resultado: volatilidade, que deve continuar presente nos próximos meses.

Se a bolsa vai subir, ou cair, ou andar de lado, é a pergunta de um milhão de dólares. Mas o fato é que não precisamos desta resposta!

A solução é simples: trabalhar com proteção.

Alguns exemplos:

1# Operações estruturadas com opções

Quando fazemos a compra de uma ação, e a venda de uma opção de compra. Exemplo: comprar a PETR4 por R$ 16,00 e vender a PETRH14 por R$ 2,20. Como gastamos R$ 16,00 e recebemos R$ 2,20 pelas opções, ficamos com um preço médio de R$ 13,80. Como o preço de exercício é R$ 14,00 temos um lucro de R$ 0,20 por ação, com proteção até os R$ 14,00.

2# Operações Sintéticas com Opções

Quando montamos uma operação com 2 ou mais opções. Exemplo: compra de VALEH26 e venda de VALEH30. Na situação do investidor ser exercido a R$ 30,00 basta que ele exerça a H26 para fechar a operação. Em caso de queda, o prejuízo é limitado.

3# Diversificação da Carteira

Não só com ações diferentes, mas com produtos diferentes: Fundos de investimentos, LCI’s, debêntures, fundos imobiliários e outros investimentos renda fixa.

4# Hedge com Futuros

Quando compramos ações do índice, e vendemos o índice futuro. Além da proteção contra quedas, embolsamos os dividendos dos papéis, e a taxa de juros embutida na operação.

Além dos exemplos citados, existem dezenas de estratégias que podem ser utilizadas. Ao contrário do que muitos acreditam, é possível montar uma carteira que não dependa da bolsa subir para render.

Trabalhamos com faixas de rendimento, ou seja, se a bolsa subir, ganhamos 100, se ficar de lado, ganhamos 60, e se cair ganhamos 50.

É evidente que, para isso, acabamos travando nosso lucro, ou seja, se a bolsa subir 500, continuaremos ganhando 100, ou muito próximo disso. O fato é que, nos últimos anos, quem utilizou essa estratégia teve um rendimento muito superior ao do Índice Bovespa.

No médio prazo a conta fecha. O cenário já me parece bastante desafiador, ou seja, é o momento de reduzirmos o risco das operações, e buscarmos um retorno consistente.

No fim do dia, batemos o CDI, e vamos para casa. Apenas mais um dia no escritório…

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