Sabemos que vantagens competitivas são características muito importantes para levar em conta na hora de escolher empresas no mercado de ações. Elas permitem às companhias ter lucros acima da média por longos períodos, uma combinação que gera resultados excepcionais no longo prazo. Mas, para isso, é necessário que a vantagem competitiva seja estrutural. Ou seja, vantagens que irão persistir por muito anos e que sejam extremamente difíceis de copiar. 

O problema das vantagens competitivas

 

Uma confusão comum nessa discussão é que muitos investidores tomam como vantagem competitiva de longo prazo características positivas das empresas, por conta da banalização do termo.

Para auxiliar nessa distinção, é possível utilizar excelente livro: “The Little Book That Builts Wealth”, de Pat Dorsey. Para o autor, as principais vantagens competitivas ilusórias são: ótimos produtos, alta participação de mercado, ótima execução e ótima gestão.

 

Embora ótimos produtos possam produzir grandes lucros no curto prazo, eles raramente se classificam como uma verdadeira vantagem competitiva estrutural se não houver ativos intangíveis que os impeça de serem copiados pelos competidores, como uma patente, por exemplo.

O investidor da análise fundamentalista dá o exemplo da Chrysler em 1980, quando lançou a primeira minivan da história, que foi um sucesso em vendas. Como a indústria automobilística é extremamente competitiva e com pouca diferenciação, o mercado se viu repleto de minivans de diferentes marcas, cada uma tentando beliscar um pouco dos lucros da montadora americana.

 

Como não havia fatores estruturais que proibiam a entrada de competidores no mercado de minivans e os impedisse de copiar o carro, este ótimo produto não pode ser considerado uma vantagem competitiva.

 

Mas e a empresas que tiveram anos de sucesso e agora são muito grandes para sua indústria?

 

A história nos mostra isso quando analisamos que a liderança pode ser passageira em setores altamente competitivos ou que sofreram grandes disrupções.

Exemplos são Kodak (fotografia), IBM (PCs), Netscape (Internet Browser) e General Motors (automóveis). Em todos esses casos, a empresa dominante cedeu participação de mercado para outros players pois não conseguiu manter ou criar sua vantagem competitiva.

E quanto à eficiência operacional, descrita acima como ótima execução? Também não pode ser considerada como uma fonte de vantagem competitiva. Ser mais eficiente do que seus competidores é uma ótima estratégia, mas o investidor não pode apostar todas as suas fichas nisso, pois não é algo sustentável. Não há um processo proprietário que seja difícil de copiar e que permita com que a empresa tenha o melhor EBITDA que os outros players por muitos anos.

Por fim, CEOs talentosos também não podem ser considerado uma fonte de vantagem competitiva estrutural. É claro que um time competente ajudará e muito uma empresa a reportar retornos sobre capital acima da média. No entanto, novamente, o investidor não pode comprar apenas isso. Depender de uma pessoa para gerar resultados em uma empresa enorme é muito complicado, pois muitas coisas não estão no controle dele.

 

Além disso, CEOs saem e entram nos cargos constantemente. O horizonte do investidor deve ser o longo prazo. Portanto, como saberemos que esse gestor em que investimos continuará no cargo daqui a três anos, cinco anos, dez anos? Como saberemos que daqui a alguns anos surgirá um novo CEO visionário revolucionando a indústria? Depender da qualidade da gestão apenas é muito arriscado, ainda mais porque os investidores pessoas físicas encontram muita dificuldade em avaliar essa métrica tão subjetiva.

 

Qual vantagem competitiva devo considerar?

 

Sendo assim, foque naquelas empresas que efetivamente possuem uma vantagem competitiva. Isso é, algum ativo intangível valioso (patente, concessão, marca forte), altos custos de troca, efeitos de rede ou vantagens de custo.

 

Por mais que um ótimo produto, ótima governança corporativa, alto market share e ótima execução sejam condições necessárias para um investimento de sucesso, eles não são suficientes. Pois não são estruturais e não conseguirão, sozinhos, gerar retornos sobre o capital acima da média por diversos anos.

 

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