O Que Causou a Crise Econômica no Brasil?

Por |2018-06-08T08:00:18+00:005 de janeiro de 2016|

Com o Rio de Janeiro sendo sede das olimpíadas em julho de 2016, este era para ser um ano feliz. Do mesmo jeito que o Brasil deveria ser um país promissor, com alto crescimento e muitas oportunidades.

No entanto, nada disso aconteceu e o ano começa com a pior crise econômica dos últimos dos últimos 100 anos. Quando 2016 terminar, a expectativa é de que a economia brasileira esteja pelo menos 8% menor do que dois anos antes, no início de 2014.

Para entender como chegamos nesta situação, vale a pena dar uma olhada no excelente artigo que a revista The Economist publicou recentemente e ler este texto até o final.

Vamos lá:

crise economica

1# Total Falha no Sistema Político

A o sistema político do Brasil nunca foi um bom exemplo de nada. Muito pelo contrário. As instituições políticas brasileiras — partidos, câmaras, ministérios e qualquer outro exemplo — são decrépitos e completamente obsoletas.

Somente no congresso, são 32 membros sob investigações criminais por terem aceitado propinas bilionárias da Petrobras. Em dezembro a Polícia Federal invadiu e aprendeu documentos em diversos escritórios do PMDB (partido que faz parte da coalizão governista, liderado pelo vice presidente Michel Temer).

Enquanto isso, o tribunal eleitoral está investigando se deve anular a reeleição de Dilma Rousseff devido a doações duvidosas em sua campanha em 2014. E também o congresso começou a debater seu impeachment em dezembro por ela ter escondido o verdadeiro tamanho do deficit público.

2# Queda no Preço das Commodities

Em meados de 2011, o preço das commodities que o Brasil exporta estavam em alta. Produtos como petróleo, ferro e soja atingiram um pico e geraram muita abundância neste período.

Atualmente o preço destes produtos caiu quase 41% em relação ao pico, atingindo em cheio os países exportadores.

No entanto, entre todos, o Brasil acabou sendo um dos que mais sofreu. Isso devido a fatores como ineficiência da indústria, baixa produtividade e gastos públicos irresponsáveis.

Foi um erro enorme não ter resolvido estes problemas (que sempre existiram) quando tivemos a oportunidade, no primeiro mandato Dilma. Ao invés disso, o governo optou por aumentar ainda mais os gastos e incentivar o crédito para o consumo desenfreado.

A consequência foi que tudo isso se arrastou até aqui. Quando a coisa piorou, trouxe o Brasil para o lugar que estamos hoje.

3# Heranças Malditas

É verdade que muitos dos problemas que resultaram a crise econômica no Brasil podiam ter sido resolvidos pelo governo no primeiro mandato Dilma.

No entanto, é também verdade que carregamos algumas heranças vindas desde muito antes. Heranças que colaboram para a ineficiência do governo e de nossa política, e que são muito mais profundas e difíceis de serem mudadas.

O maior exemplo delas é nossa tão celebrada constituição de 88. Em todo o seu excesso de mais de 70.000 palavras, ela estabelece coisas que vão muito além do que deveria estar previsto em uma constituição. Como:

  • 44 horas de trabalho semanal
  • aposentadoria de 65 anos para homens e 60 para mulheres
  • o poder de compra dos benefícios sociais deve ser mantido

Essas e várias outras coisas deveriam ser defendidas em leis, que podem ser alteradas conforme a situação atual do país. Não precisam estar na constituição. Ela que, em teoria, é a base de toda a política e não deve ser alterada.

As pensões e benefícios defendidos por nossa constituição atualmente consomem sozinhos 11,6% de todo nosso PIB. Algo que não acontece nem no Japão, que é muito mais rico e possui habitantes muito mais velhos.

4# Altas Taxas

Se temos altos gastos do governo — muitos deles defendidos pela constituição, como vimos — também precisamos pagar altas taxas para poder pagar por tudo isso.

Atualmente os impostos já são 36% do PIB. Um patamar muito mais alto que muitos países ricos, onde o governo oferece serviços de alta qualidade à população.

O problema disso é que em momentos como o atual, o governo não tem espaço para aumentar os impostos; a carga tributária já está próxima ao limite. Consequentemente, o país entra em uma situação muito perigosa de gastar muito mais do que arrecada.

Mais preocupante ainda, é quando o governo está tão endividado que não consegue pagar nem os juros da dívida; ela começa a aumentar exponencialmente. Esse estado crítico é chamado de “Dominância Fiscal”, e o Brasil está, atualmente, bem perto deste ponto.

5# Incapacidade de Fazer o Que Precisa Ser Feito

Com um congresso que incentiva a corrupção — que por sua vez incentiva a ineficiência — dificilmente o governo terá meios para fazer os drásticos ajustes que a economia brasileira precisa.

O mais provável é que prevaleça o comportamento que tem sido praticado até hoje; que os ajustes continuem sendo deixados de lado até que o país chegue em uma situação sem retorno.

Conclusão

Sei que este é um dos textos mais pessimistas (este também foi) que já publiquei aqui no Blog do Bússola do Investidor. Mas a verdade é que estamos mesmo em um momento preocupante, tanto na economia quanto na política.

É bem provável que este seja somente o começo de toda uma década perdida, na qual teremos que fazer alguns sacrifícios e perder algumas conquistas que o Brasil havia feito nos anos anteriores.

Resta torcer para dessa vez aprendermos algumas coisas e que possamos ter competência para fazer as mudanças que há anos são empurradas com a barriga.

 

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