Momentos delicados como esse em que estamos passando no mercado financeiro geram muitas incertezas e o ser humano, por natureza, tem medo do incerto. O medo, por sua vez, causa o pânico, sentimento que leva o investidor a tomar decisões irracionais, que prejudicam seu processo de enriquecimento no longo prazo.

Nossa intenção com esse texto é melhorar a sua capacidade de entendimento e análise do momento e de suas futuras implicações, otimizando a probabilidade de tomada de decisão racional.

Antes de mais nada, gostaria de mostrar a imagem abaixo. Basicamente, existem duas formas de tentar ganhar dinheiro: a primeira, buscando prever os movimentos aleatórios do mercado no curto prazo e sendo submisso a ele. Por exemplo, tentando adivinhar uma enorme queda no preço das ações, como aconteceu com a Petrobras (PETR4) nos últimos meses ou o momento em que uma ação de uma empresa vai sair de um patamar muito baixo, caso da Oi (OIBR3) atualmente.

E, a segunda maneira, é se apropriando das oportunidades do mercado e investindo em boas empresas, visando o longo prazo.

Mas qual a melhor estratégia? Certamente, a que gerou os maiores retornos. Quando analisamos os maiores investidores do mundo, vemos que todos são adeptos à segunda estratégia. Warren Buffett, Charlie Munger, Mohnish Pabrai, Luiz Barsi, Philip Carret, Joel Greenblatt, Howard Marks, Peter Lynch e tantos outros.

Em entrevista com Philip Carret, o mesmo foi perguntado sobre a coisa mais importante que aprendeu sobre investimentos nos últimos 75 anos. Sem titubear ou pensar, o adepto do value investing respondeu com certeza: “Paciência (…). No longo prazo, o mercado se recuperará, e as pessoas que compram as ações certas e ficam com elas se darão muito bem”.

Destacamos aqui alguns termos. Primeiramente, paciência e longo prazo não é esperar por 3 meses, 6 meses ou 12 meses. O horizonte de investimento de todo investidor deveria ser, no mínimo, de 3 anos. Por isso a necessidade de investir apenas o montante do qual você não precisará no curto prazo.

Em segundo lugar, o mercado se recupera. Isto a história nos mostra e, por mais que ela não se repita, ela rima. No entanto, os investidores apenas triunfarão se comprarem as ações certas, isto é, aquelas de boas empresas, com fortes vantagens competitivas e a um bom preço.

A história dos investimentos nos mostra que existem três tipos de investidores, e as pessoas devem se autoconhecer e reconhecer quem são. Primeiramente, você pode ser o mais sortudo. No entanto, não é aconselhável contar com a sorte, busque confiar em probabilidades. Você pode ser o melhor investidor, mas isso requer muito tempo, anos de trabalho e um alto QI, você está disposto a isso? Por fim, você pode ser o mais paciente. Este último é o mais fácil de todos e tão lucrativo quanto.

Para finalizar, gostaria de passar algumas dicas para vocês:


  • Ninguém sabe por quanto tempo as incertezas irão durar. Essa é uma questão multidisciplinar: biológica, estatística, política, sociológica, psicológica, econômica, geográfica, etc;
  • Venda somente as ações cujos fluxos de caixa futuros você acredita que vão se deteriorar no longo prazo. Não venda tentando prever o mercado;
  • Compre apenas as empresas que você acredita que estejam baratas ou justas em relação ao valor intrínseco, e não porque a ação caiu x% ou atingiu níveis mínimos. Nunca renuncie à qualidade;
  • Às vezes, a decisão mais racional possível é não fazer nada. Pare, pense e reflita. Evite tomar qualquer decisão quando estiver em pânico;
  • Você não precisa estar superconfiante apenas porque os outros estão receosos. Da mesma forma, você não precisa estar com medo apenas porque os outros também estão;
  • Faça gestão do seu caixa. Grandes oportunidades estão aparecendo e aparecerão. Não monte posições grandes de uma única vez. O mercado está muito volátil, portanto, investir aos poucos pode facilitar e aumentar a probabilidade de se encontrar pechinchas;
  • Coloque em prática a diversificação. Compre ótimas ações e FIIS de diferentes setores e geografias;
  • Evite boatos e as teorias da conspiração. Essa é a primeira crise global na era das mídias sociais, onde as informações se espalham rapidamente. E as Fake News, mais ainda;
  • Não há problema nenhum em não possuir opiniões sobre tópicos sobre os quais você não conhece nada. A incerteza sobre o perigo gera medo e é reconfortante para o ser humano buscar respostas, mesmo que não saibam do que estejam falando, nos momentos mais incertos, pois respostas convictas faz com que o perigo pareça reduzido. No entanto, queremos respostas convictas quando as coisas são mais incertas, ou seja, quando não há respostas firmes;
  • O melhor conselho para evitar a epidemia da corona vírus (Covid-19) é: lave suas mãos. No entanto, isso é muito simples para as pessoas levarem a sério. O ser humano não acredita na ideia de que problemas complexos podem ser resolvidos por soluções simples;
  • As recessões não são o fim do mundo, mas sim um processo natural, como um incêndio florestal que limpa a madeira morta. São boas para o longo prazo, mesmo que o curto prazo seja doloroso.