No mundo das finanças pessoais, existe mais “psicologia” e “comportamento” do que, propriamente, “finanças”. Porém, quando se trata “da arte e da ciência” de guardar dinheiro, as coisas passam a ser puramente matemáticas. E, neste artigo, você vai saber quais os primeiros passos para começar a guardar dinheiro, de forma consistente e economicamente sustentável.

Então vamos à parte que é puramente financeira e matemática: Para guardar dinheiro, é preciso TER dinheiro… E, para ter dinheiro, é preciso GANHAR dinheiro.

Ridiculamente óbvio, não?

Porém, as coisas que são óbvias no conceito nem sempre são óbvias, também, na execução.

E quando se fala em “execução”, a gente sai do mundo das finanças e acaba voltando para o domínio da psicologia e do comportamento.

Mas, vamos aos passos para guardar dinheiro; e esses passos serão classificados em duas fases: 

A primeira fase é de “preparação” ou de “fazer sobrar dinheiro”. A segunda fase é de “alocação”, ou “o que fazer com o dinheiro”.

 

Fase de preparação 

 

Nesta fase, temos os passos que estão associados a ações e atitudes para organizar as finanças e fazer com que, efetivamente, sobre algum dinheiro para ser guardado.

 

1º passo – Identifique e entenda as suas fontes de receita 

Lembre-se do que foi dito no começo deste artigo: Para guardar dinheiro, é preciso ganhar dinheiro. A receita é a “energia vital” das finanças e, sem ter fontes de receita, nada vai funcionar.

Existem dois tipos de fontes de receita: A receita que vem do trabalho (salários, comissões, honorários, pro labore etc.) e a receita que vem do patrimônio (rendimentos de investimentos, aluguéis etc.).

Com relação à receita que vem do trabalho, a primeira coisa a ter em mente é que o dinheiro que aparece na sua folha de pagamento, ou na coluna de “receitas” de sua empresa, não é aquilo que você, efetivamente, leva para casa (cortesia de nossas autoridades fiscais…).

Então, é preciso saber qual é a sua receita líquida mensal (ou, pelo menos, um valor médio, caso você não tenha salário ou uma fonte de receita estável).

A sua receita média mensal é “o número” – a informação fundamental que vai definir qual é a sua verdadeira capacidade de guardar dinheiro.

 

2º passo – Defina seus objetivos

Este é um passo “comportamental” – e absolutamente necessário.

Nós, seres humanos, não fomos feitos para guardar dinheiro. Guardar dinheiro significa poupar agora para termos no futuro. “Poupar” o dinheiro implica em não o gastar agora. Ou seja, implica em fazer um sacrifício no curto prazo em favor de alguma coisa que está no futuro. E é aí que mora o problema…

Você já tentou fazer uma dieta? E, se fez, já falhou? Se isso aconteceu, não se sinta mal, pois você não está só.

Dietas falham porque criam um conflito insolúvel em nossas mentes: um conflito entre desejos de curto prazo e de longo prazo que são incompatíveis. Queremos comer o bolo de chocolate e TAMBÉM estar naquele shape de “influencer fitness” no próximo verão.

Só que isso não vai acontecer…

No mundo das finanças é igual: Queremos (ou precisamos) gastar o dinheiro AGORA, e queremos ter dinheiro guardado no futuro. Como resolver?

A única forma de resolver esse dilema é definindo, para si, objetivos que sejam suficientemente fortes e motivadores, que te permitam lutar contra a sua própria natureza. Precisa ser AQUELE objetivo, que faça os olhos brilharem e te faça dizer “sim, por ESTE objetivo vale a pena fazer um sacrifício”.

E não tenha medo de ser egoísta! O que importa, aqui, é que o objetivo seja algo que você realmente queira e que te dê força para lutar contra o seu instinto, que é de buscar a gratificação de curto prazo.

 

3º passo – Faça um planejamento financeiro 

Agora é a hora de fazer um “pente fino” em suas contas. Faça um planejamento financeiro minucioso, analisando suas despesas dos últimos meses e procurando identificar oportunidades de poupar dinheiro que, de preferência, não causem um grande impacto negativo em sua qualidade de vida.

Praticamente todas as pessoas têm gastos que são supérfluos ou algum tipo de desperdício. Gastos supérfluos podem ser diminuídos (ou substituídos) e desperdícios devem ser eliminados – simples assim.

Se você paga por serviços que não usa, corte! Você paga a academia e não vai? Corte! Você paga o pacote mais caro de TV por assinatura e só assiste os canais abertos? Corte!

Quando você corta gastos que são desperdícios, você faz sobrar dinheiro sem causar qualquer impacto à sua qualidade de vida. Afinal, aquilo que você cortou não era usado mesmo…

 

4º passo – Defina um orçamento 

Um orçamento nada mais é que o planejamento financeiro projetado para o futuro.

Se você cumpriu os passos anteriores, já deve ter um grau de clareza sobre suas receitas e despesas. Já sabe o que pode mudar e o que pode “espremer” para fazer sobrar dinheiro.

Então, faça uma projeção das suas receitas e despesas, já considerando que você quer que sobre um determinado valor por mês. Defina qual é esse valor que deve sobrar e adeque o estilo de vida (as despesas) para que essa sobra mensal seja obtida.

 

5º passo – Faça um plano de aumento de receitas

Quando se tenta organizar as contas e fazer sobrar dinheiro, o caminho mais óbvio e mais efetivo, no curto prazo, é reduzir ou cortar despesas.

Porém, no longo prazo, é interessante adotar medidas e ações para obter aumento das receitas, através de desenvolvimento profissional (para aumentar a renda profissional) e de aumento de patrimônio (para aumentar a renda passiva).

Com um aumento das receitas, é possível ir, aos poucos, “aliviando” um pouco o estilo de vida, se permitindo gastar um pouco mais, mas sem comprometer o equilíbrio financeiro (e, de preferência, aumentando também o valor a ser poupado por mês).

 

6º passo – Adequação do consumo 

Este passo não é nada mais nada menos que a execução do orçamento. É o momento em que a fase de planejamento deixa de ser apenas “planejamento” para virar “mão na massa”.

O orçamento não é um documento para ser pendurado num quadro e admirado – é para ser executado.

E, se o orçamento foi feito de forma adequada, com informações consistentes, e for seguido à risca, “sobrar dinheiro” será uma consequência inevitável.

E, se não sobrar dinheiro, não haverá dinheiro para ser guardado…

 

Fase de alocação

Os cinco primeiros passos formam a “fase de planejamento”. É aquela fase em que você vai, de fato, fazer com que sobre dinheiro e vai tomar as decisões de onde aloca-lo.

Nesta fase, dependendo de sua situação, as sobras precisarão ser alocadas (daí o nome “alocação”) em algumas destinações específicas para colocar “ordem na casa” antes de, efetivamente, guardar dinheiro.

 

7º passo – Se tiver dívidas… pague! 

Nesta fase, supostamente, você já está com suas finanças organizadas (ou algo próximo a isso) e está sobrando dinheiro.

Se tiver dívidas (especialmente dívidas de curto prazo e alto custo financeiro), pague-as.

Aqui, vale a velha máxima de que pagar uma dívida com juros de 5% ao mês equivale a fazer um investimento que rende 5% ao mês (ou seja, é um investimento que não existe…).

Dívidas imobiliárias (financiamento imobiliário) são dívidas de prazo longo e custos mais baixos (para os padrões brasileiros). Então, esse tipo de dívida pode ser “tolerado”.

Mas aquelas típicas dívidas de consumo, como cheque especial, rotativo do cartão de crédito, crédito pessoal e similares são “ralos de dinheiro” que precisam ser resolvidos.

Não faz nenhum sentido ter dinheiro guardado, rendendo um baixo retorno, enquanto suas finanças estão sendo corroídas por dívidas de alto custo. Se tiver esse tipo de dívidas, elimine-as ANTES de começar a guardar dinheiro.

Se você tiver dívidas, a alocação prioritária do dinheiro que sobra será no pagamento delas. Se você mantiver, simultaneamente, dívidas com juros altos e investimentos com retornos baixos (que são a nova realidade dos investimentos), estará perdendo dinheiro.

 

8º passo – Reserva de emergência

A reserva de emergência é o próximo destino de alocação do dinheiro.

Idealmente, devemos ter um volume de dinheiro, investido em ativos financeiros de baixo risco e de liquidez imediata, que dê cabo de nossas necessidades básicas por, pelo menos, um ano, em caso de perda de renda.

Se você tem dívidas, deve cumprir o passo anterior e eliminá-las antes de alocar dinheiro na reserva de emergência. Se você não tem dívidas, mas também não tem uma reserva de emergência (ou tem uma reserva de tamanho insuficiente), esta deverá ser sua prioridade de alocação do dinheiro que sobra.

 

9º passo – A destinação final do dinheiro guardado

Se você chegar neste passo, é porque fez a “lição de casa” corretamente. Então, aqui você terá liberdade para alocar o dinheiro que sobra do jeito que quiser.

Bem, no segundo passo, você definiu seus objetivos, e eles te deram a força necessária para prosseguir nos demais passos. Então, nada mais justo e razoável que destinar o dinheiro que sobra para conquistar o seu objetivo.

Porém, considere deixar uma parte (de preferência, uma parte significativa) desse dinheiro que sobra para outras alocações que vão deixar sua vida financeira mais robusta e saudável, como uma carteira de investimentos ou uma previdência complementar.

Seu futuro agradece.

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