Crise financeira e econômica são coisas comuns. São um “fato da vida”, especialmente para quem investe dinheiro. Mas quando a crise financeira é no próprio casamento, aí a coisa complica…

Mas, enfim, poucas coisas, nesta vida, são mais eficientes para acabar com um clima de paixão e romantismo do que falar de dinheiro. E, quando digo “falar de dinheiro”, não estou falando, naturalmente, sobre como GASTAR o dinheiro (“uma viagem romântica para as ilhas Fiji”), e sim sobre gestão financeira (que é a “parte chata” do dinheiro).

E, por mais que a gente insista em acreditar que o amor supera tudo (e que assuntos financeiros são banalidades e “coisa de gente materialista”), o fato é que uma boa parte dos casamentos que fracassam têm alguma questão financeira mal resolvida, que precipitou aquela crise.

E, neste artigo, vamos ver algumas causas de crises financeiras no casamento e o que pode ser feito para ajudar melhor você a salvar seu casamento da crise financeira!

 

A origem das crises financeiras no casamento 

Em grande parte das vezes, a crise financeira no casamento já foi “plantada” antes do casamento acontecer.

Um casamento é um projeto de longo prazo (sei que aquela coisa de “até que a morte os separe” está um pouco fora de moda, mas, ainda assim, continua sendo um projeto de longo prazo). Só que muitas pessoas negligenciam esses efeitos de longo prazo e tomam a decisão de se casar baseadas em fatores de curto prazo.

Para quem é mais jovem, talvez seja difícil de entender e aceitar. Mas PAIXÃO é uma coisa de curto prazo. Dizem por aí os “entendidos” do assunto que uma paixão dura, em média, dois anos

E, não custa lembrar, você está num portal de investimentos. Se você tem alguma familiaridade com investimentos, já deve saber que dois anos é… curto prazo!

Enfim, a esmagadora maioria das crises financeiras no casamento acontece porque, ANTES do casamento, não se tomou os devidos cuidados para ver se as personalidades e os perfis financeiros do casal “batiam”.

O problema das “personalidades financeiras” 

As pessoas têm diferentes abordagens pessoais quanto ao dinheiro. Tem gente que tem um foco maior no curto prazo e no prazer imediato. Tem gente que tem ambições maiores para o longo prazo e está disposta a fazer sacrifícios no curto prazo. Tem gente que deve dinheiro para todo mundo e vive bem com isso. Tem gente que não consegue dormir se estiver devendo um real para o melhor amigo…

O não alinhamento das personalidades financeiras é, por si só, um gerador de crises. Um casal formado por uma pessoa que quer construir um patrimônio no longo prazo e um “maluco” que torra cada centavo que ganha pode ser uma coisa “fofíssima” na fase do namoro. Mas, no longo prazo, algo assim tem poucas chances de dar certo.

O mesmo acontece quando se junta uma pessoa com ambições de fazer uma carreira profissional de sucesso com outra que almeja uma vida mais simples, “fincando raízes” em algum lugar e formando família rapidamente.

 

Crises financeiras que nascem após o casamento 

As crises financeiras depois do casamento também acontecem. Mesmo pessoas que tenham personalidades financeiras perfeitamente alinhadas podem “se trombar”, em algum momento.

Mas, no fim das contas, o mais comum é que essas crises aconteçam por coisas e situações que não foram devidamente “pensadas”, antes de dar o passo rumo ao altar.

Crises financeiras acontecem, com todo mundo e o tempo todo. Mas, quando um casal tem visões diferentes sobre dinheiro, os cônjuges não se apoiam durante a crise.

E aquilo que deveria ser uma crise financeira se torna uma crise familiar…

 

O problema da “infidelidade financeira” 

Infidelidade financeira é o nome que se dá àquela situação em que os cônjuges ocultam informações financeiras um do outro.

Podem ser dívidas e compras que um cônjuge faz escondido (às vezes, oculta um problema de consumismo), ter contas e cartões de créditos “secretos” ou mesmo, em casos extremos, tomar medidas ativas de ocultação de patrimônio em antecipação a um divórcio.

A infidelidade financeira é um problema comum e costuma acontecer, também, por conta desse “desalinhamento” nas personalidades financeiras.

E, aqui, é um momento interessante para se fazer um comentário sobre mentiras. Muitas pessoas não mentem com a intenção de, deliberadamente, enganar pessoas. Elas mentem para se proteger, para evitar serem julgadas, serem vítimas de recriminação e de “levarem bronca”.

O desejo de não magoar o cônjuge (e de evitar conflitos) leva à infidelidade financeira. E a infidelidade financeira gera uma fissura na confiança do casal que pode, inclusive, levar a outras formas de infidelidade.

 

Como evitar a crise financeira no casamento? 

Como já foi comentado, crises financeiras acontecem “nas melhores famílias”. São “fatos da vida”. Uma perda de emprego ou um evento imprevisto podem precipitar uma crise financeira e, salvo raríssimas exceções, crises financeiras são superáveis.

O problema não é a crise financeira em si, e sim quando a crise financeira vira crise familiar, colocando o casamento em risco.

Então, vamos ver algumas formas de evitar ou, pelo menos, “tentar remediar” essas crises.

 

  • Escolha certo!

 

Como já foi comentado, na maioria das vezes, a crise financeira no casamento é “plantada” antes mesmo do casamento acontecer, quando os cônjuges não dão a devida importância à questão da “personalidade financeira” (que parece trivial, mas pode determinar o sucesso do casamento no longo prazo).

Por isso, se você ainda NÃO casou, coloque em sua lista de “coisas a ponderar”, sobre seu futuro cônjuge, a forma como ele encara o dinheiro e a gestão financeira pessoal.

Fale abertamente sobre o assunto e, se seu parceiro reagir mal (dizendo que você é uma pessoa “materialista” ou colocando seu amor por ela em dúvida), saiba que aquilo é um gigantesco “sinal de alerta” de que você vai ter problemas lá na frente.

Mas, às vezes pode já ser tarde demais e o casamento já aconteceu. Neste caso…

 

  • Busque o diálogo

 

“Buscar diálogo” é daquelas coisas fáceis de falar e difíceis de fazer, especialmente quando a crise já foi deflagrada. Mas é importante conversar e tentar equalizar a questão das “personalidades financeiras”.

Os cônjuges precisam (ainda que tardiamente) deixar claro como gostariam de gerir a vida financeira. Se um dos cônjuges quer “curtir a vida” e o outro quer economizar para o futuro, é preciso achar um meio termo.

Boa parte dos assuntos de um casal (não só os financeiros) exigem algum tipo de concessão de ambos os lados. No caso dos assuntos financeiros, não é diferente. Cada cônjuge cede um pouquinho e se tenta chegar num meio termo aceitável.

Porém, se não for possível chegar nesse meio termo, tenha em mente que seu casamento está sob sério risco de, em algum momento, engrossar as estatísticas de uniões que terminam em divórcio (na maioria dos países desenvolvidos, o índice de divórcios por casamento é na faixa de 50% – ou seja, a probabilidade de êxito do casamento é a mesma de jogar cara ou coroa…).

 

  • Estabeleça regras

 

Uma vez que se defina esse “meio termo”, que atenda, na medida do possível, as personalidades financeiras dos cônjuges, defina regras de conduta e critérios de planejamento financeiro.

Essas regras devem definir coisas como limites de gastos, limites de endividamento, planos profissionais para aumento de renda, quanto dinheiro guardar para investimentos e reservas de emergência e, caso o casal já tenha filhos, como vai ser a educação financeira dos filhos, inclusive definindo regras de mesada para todas as fases da infância e da adolescência.

 

  • Execute e controle

 

Adote uma prática de fazer, periodicamente, uma “reunião financeira” com seu cônjuge, para discutir as finanças da família. Avalie até que ponto as metas estão sendo cumpridas e como está sendo a evolução do patrimônio familiar.

Se as coisas não estiverem caminhando como esperado, faça os devidos ajustes e mantenha a rotina de avaliar resultados e fazer correções de rumo. Buscar a ferramentas que auxiliem na gestão financeira da casa também pode ser a solução, como: aplicativos de gestão financeira ou até mesmo programas de tv tratem sobre o assunto

 

Conclusão 

Aqui vai uma realidade que deixa algumas pessoas desconfortáveis: Casamento é um negócio.

Sim, um negócio! É exatamente por isso que tem um contrato… 

Então, a melhor forma de assegurar que o casamento terá sucesso (pelo menos do ponto de vista financeiro), é tratando-o como se fosse um negócio de sucesso. Negócios de sucesso costumam ser caracterizados por boa gestão, boa governança corporativa e transparência.

No casamento, a transparência entre os cônjuges é fundamental (até para evitar brigas e a insidiosa infidelidade financeira), e a “boa gestão” pode ser desenvolvida com o tempo e com a prática.

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