Se você estuda sobre a Bolsa de Valores para investir melhor e aumentar as suas chances de lucro, certamente já ouviu falar na Análise Técnica, também chamada de análise gráfica de ações. Ela é uma das mais conhecidas ferramentas, permitindo ao investidor maximizar seus lucros e minimizar os riscos, a partir dos movimentos do preço mostrados em um gráfico, sem achismos ou dependência de interpretação de notícias, e sim, observando o comportamento do mercado.

Não importa se você pretende lucrar investindo no curto prazo (meses ou alguns anos) ou fazendo Day Trade, a Análise Técnica é um conhecimento fundamental para torná-lo um investidor mais consciente de suas possibilidades e também mais seguro e sensato em suas decisões.

Para ajudá-lo a trilhar este caminho do aprendizado na prática, preparamos este guia completo, onde você confere lições, termos, indicadores, dicas, aplicações e muito mais sobre a Análise Técnica.

1. O que é Análise Técnica?

A Análise Técnica é o estudo dos movimentos do mercado por meio de gráficos, mostrando a variação do preço dos ativos da Bolsa de Valores, com o objetivo de prever as movimentações futuras.

Por estar baseada no preço do ativo, levando em conta o equilíbrio entre a oferta e a demanda, a Análise Técnica é útil em qualquer mercado e usada para prever o cenário mais provável para uma ação, opção ou contrato (contratos e mini contratos de índice e de dólar), seja em position, swing trade, day trade ou outras linhas de compra e venda em um período relativamente curto.

Esse tipo de análise é mais uma forma de olhar o mercado (existem outras como a fundamentalista, por exemplo), porém a Análise Técnica é a mais apropriada para prever quando o preço vai subir, cair ou se manter para aqueles que esperam boas oportunidades no mesmo dia, na semana ou desejam se desfazer rapidamente de uma posição.

Gráfico Análise Técnica

A Teoria De Dow: Como a Análise Técnica surgiu

A Análise Gráfica tem origem na Teoria de Dow, que surgiu há mais de 100 anos a partir dos estudos de Charles Dow, na época colunista do Wall Street Journal, o mesmo que deu nome ao ìndice Dow Jones.

Muito do que é aplicado hoje na Análise Gráfica veio dos estudos de Dow, nos quais ele fala sobre a repetição dos movimentos históricos dos preços. Assim, se você pretende utilizar a Análise Técnica para operar na Bolsa, precisa estar a par da Teoria de Dow e o que ela aponta.

Observando os gráficos e movimentações do mercado de ações, Dow percebeu 6 fundamentos comuns em seus estudos:

  • Os índices (como o IBOV da BM&FBOVESPA) descontam tudo, ou seja, refletem o mercado. Isso significa que, a alta ou baixa dos ativos da Bolsa, ficará representada no índice também: quando o IBOV cai, por exemplo, ele mostra uma queda que atinge vários ativos;
  • O mercado tem 3 tendências: primária (a mais dominante), secundária (altas e baixas de preço que ao longo do tempo seguem a tendência primária) e a terciária (se forma entre as secundárias). Exemplificando: um ativo, seja uma ação, opção ou contrato, mesmo que subindo em um período do dia, pode estar em queda nos últimos meses;
Tendências
  • A tendência primária tem 3 fases: acumulação (sinal de reversão para a alta, sendo o melhor momento para comprar), participação pública (o preço fica em tendência de alta porque há investidores comprando), distribuição (a notícia de alta se espalha e mais investidores entram no mercado, configurando um momento em que muitos se desfazem das posições);
  • Os índices e médias devem confirmar uns ao outros. Como há outros índices além do principal, divididos por setores (no caso da BM&FBOVESPA, podemos citar IBC+XL, IBRA, dentre outros), é importante saber que uma tendência do mercado só pode ser confirmada no índice mais abrangente, como o IBOV, se um índice complementar apresentar a mesma tendência;
  • O volume deve confirmar a tendência. Quando houver uma tendência de alta, o volume de negociações aumentará e, em caso de baixa, o volume irá reduzir. Cabe ressaltar que Dow considerava o fechamento de preços em suas análises, sendo o volume um fator menos importante;
  • Uma tendência irá ocorrer enquanto não houverem sinais de reversão. Ao observar o gráfico de uma ação, é possível perceber por tipos de candles e indicadores (itens que veremos nos próximos capítulos), quando o mercado irá permanecer em tendência ou irá mudar.
Charles Dow

É importante ressaltar que o trabalho de Dow tinha por objetivo identificar muitos movimentos de grande importância para o mercado e não procurava dar sinais de compra e venda. Devido a isso, a Análise Técnica e seus indicadores surgiram para suprir essa necessidade de prever tendências para nortear investidores em suas decisões.

Os fundamentos da Análise Técnica

A partir das observações de Dow, alguns fundamentos se destacaram como mais relevantes para a leitura dos gráficos pelos investidores, tornando interpretações técnicas em possíveis ações no mercado como compra, venda, saída, dentre outras. Na Análise Técnica, tais fundamentos se tornaram 3, todos extremamente relevantes para o estudo dos preços:

  • Movimentos do mercado já descontam tudo. O que afeta o preço da ação (ou outro papel) é descontado e reflete no ativo. Assim, o investidor deve se atentar ao preço porque, mesmo com a existência de fatores políticos, notícias, o psicológico dos participantes do mercado, estes influenciam o próprio preço e estão descontados nele. Isso significa que ao analisar um gráfico para prever as próximas variações, não é preciso preocupar-se com outros aspectos porque eles estarão representados nos movimentos do preço no gráfico.
Investidor e gráfico de Análise Técnica
  • Preços se movem em tendências. Ao descobrir tendências no momento inicial de sua formação, o investidor é capaz de tomar a melhor decisão: comprar, vender, entrar ou sair do mercado. Nesse aspecto, é importante se atentar as tendências primária, secundária e terciária, abordadas no tópico anterior.
  • A história se repete. Como um dos influenciadores do preço é a situação psicológica dos investidores (necessidade de comprar ou vender) e os padrões gráficos o representam, se assume que eles irão acontecer novamente no futuro. Um exemplo real disso é quando a ação começa a cair, momento em que mais investidores vão querer vender.

A Análise Técnica realmente funciona?

A Análise Técnica funciona se for usada com o objetivo pelo qual ela existe: entender quais são os prováveis movimentos no preço e utilizar possibilidades para tomar decisões. Nem a Análise Técnica, nem nenhum outro tipo de estudo pode prever com total certeza se os preços realmente irão subir ou cair, mas nem por isso entender os movimentos do mercado deixa de ter utilidade.

Se você deseja ver alguns resultados reais de que esta prática realmente funciona, veja a lista de Gurus da Análise Técnica que investiram e obtiveram excelentes resultados analisando o mercado dessa forma.

Certamente, ao estudar e praticar o uso da Análise Gráfica, você irá tornar-se um investidor melhor, mais preparado para operar, conseguindo identificar quando há muito risco e quando pode ser a chance de comprar ou vender e entrar ou sair do mercado.

2. Análise Técnica ou Fundamentalista?

Quando o assunto é investir na Bolsa, muita gente fica em dúvida sobre qual tipo de análise usar: a Análise Técnica, ou Gráfica, popular entre muitos que querem “viver de Bolsa”, ou a Análise Fundamentalista, usada por investidores que esperam ganhar com a valorização de uma empresa, assim como Warren Buffet. Primeiro, é importante entender as diferenças entre elas:

  • Análise Técnica: estudo do movimento do preço no passado, em gráficos, para prever o sobe e desce dos preços no futuro próximo.
  • Análise Fundamentalista: utiliza os demonstrativos financeiros das empresas para observar se elas estão crescendo ou não.

Nesse sentido, por suas formas de enxergar dados que importam, a Análise Fundamentalista é mais utilizada para investimentos no longo prazo, enquanto a Análise Técnica é a preferida por quem busca rentabilidade em um período menor.

Por que a Análise Técnica é a mais usada entre traders?

Os fundamentos de uma empresa são extremamente importantes, mas em um mercado especulativo como o de ações, opções e futuros, o mais relevante é a demanda e a oferta, movimentos que interferem nos preços dos ativos da BM&FBOVESPA.

No curto prazo, é preciso prever a movimentação nas próximas horas ou semanas e, nesse contexto, o que contam são as expectativas e reações dos investidores que realmente interferem no preço pela compra e pela venda. Do outro lado, os indicadores fundamentalistas não poderiam apontar ao investidor trader se haveria queda na mesma semana que aconteceu uma compra de ações.

Seu objetivo é lucrar no curto prazo operando na Bolsa em curto prazo? Você tem como objetivo se tornar um bom trader? Se respondeu sim a uma dessas perguntas, precisa da Análise Técnica!

3. Como usar os gráficos de Análise Técnica?

O gráfico é o panorama do que acontece com um ativo da Bolsa e o preço mostra o equilíbrio entre a demanda e a oferta criada pelos investidores.

É muito importante que o investidor tenha uma compreensão completa sobre o gráfico de Análise Técnica porque, caso contrário, tópicos mais avançados como os diferentes tipos gráficos, padrões de figuras, indicadores e regras para compra, venda, entrada, saída e gerenciamento de risco dificilmente serão bem aplicados.

Nesse contexto, para usar corretamente um gráfico de Análise Técnica é preciso entender cada elemento que o compõe.

Período ou frequência: o tempo para contabilizar as variações

Este aspecto diz respeito ao que acontece em um período de tempo na sua análise, ou seja, qual é o preço máximo e o mínimo no tempo escolhido, seja ele 15 minutos, 1 hora ou vários dias. Os gráficos intradiários, com períodos menores que um dia (horas ou minutos), são usados nas operações day trade. Os gráficos diários, com períodos maiores do que um dia (semanas, meses e anos), são usados para operações com um prazo maior.

Gráfico 30 minutos
Gráfico com candles de 30 minutos em um dia. 16 candles = 1 pregão

Não sabe por qual frequência começar a Análise Gráfica de um ativo?

Pense em seu objetivo, se quer ganhos no curto ou no longo prazo, depois faça alguns testes com tempos diferentes, usando cada dia um período e verifique se essa é a melhor forma para acompanhar e enxergar as movimentações e se em algum tempo gráfico escolhido você encontrou mais oportunidades.

Preços Considerados: os valores que importam na análise

A Análise Técnica completa não limita-se somente ao preço do ativo naquele momento, ela traz outras variáveis desse valor:

  • Abertura: é o primeiro preço do ativo escolhido no momento em que um novo período do gráfico se inicia. Ele deve ser entendido como um consenso do mercado em aceitar aquele negócio naquele valor, depois do período anterior;
  • Fechamento: é o último preço do ativo no momento em que o período do gráfico acabou. É um valor muito importante, já que representa onde o mercado chegou.
  • Máxima: é o maior preço em que a ação (ou outro ativo) foi negociado naquele período. É o preço máximo que os investidores aceitaram pagar.
  • Mínima: é o maior preço em que a ação (ou outro ativo) foi negociado naquele período. É o preço mínimo que os investidores aceitaram pagar.
  • Volume: valor que foi negociado no período. Na Análise Técnica, a relação preço/volume conta, uma vez que um maior volume pode influenciar na movimentação dos preços.

Escalas: como medir o valor ganho ou perdido

A escala é como o gráfico vai ser mostrado e ela influencia em como o investidor vê a variação do preço. São 2 tipos na Análise Técnica:

  • Escala Aritmética: é a escala onde 1 corresponde a 1. Se o investidor ganha R$ 1 ao comprar uma ação por R$ 1 que subiu para R$ 2, seu ganho é de 100%. Mas se ele ganha R$ 1 quando compra uma ação por R$ 10 e que subiu para R$ 11, seu ganho é de 10%.
  • Escala Logarítmica: é uma escala muito comum no mercado financeiro porque a distância entre um valor e outro é sempre no mesmo valor percentual. Mas como isso fica na prática? Os ganhos e perdas são apresentados na mesma porcentagem, facilitando que o investidor saiba quanto de dinheiro ganhou ou perdeu percentualmente.

Abaixo, ilustramos as diferenças em um gráfico. Na escala aritmética, as perdas parecem menores do que realmente foram. Já na escala logarítmica, é visível como se acentuaram.

Escala Aritmética e Logarítmica

Agora que conhece os elementos de um gráfico, vamos falar sobre os tipos gráficos.

4. Gráficos de Candle

Os gráficos de candlestick são uma forma de mostrar o que ocorreu com o preço de uma ação em um determinado período de tempo, sendo o tipo mais popular entre os investidores que usam a Análise Técnica por trazer várias informações em um único elemento visual.

Gráfico de Candlestick

O “corpo” dos candles, o retângulo, mostra o valor atingido pelo preço da ação no fechamento e na abertura enquanto a “sombra”, a linha vertical ligada ao candle, mostra o preço mínimo e o máximo do período, conforme a imagem abaixo. Como o tamanho da variação de preços também muda, existem diversos formatos de candlestick.

Análise Candlestick

Outro aspecto importante dos candlesticks é sua cor. Seu corpo é verde quando o preço de fechamento é maior do que o de abertura, assim, houve alta, o que pode ser visto como um ganho para os vendedores. O mesmo funciona para o inverso: se o preço de fechamento está abaixo do preço de abertura, o preço da ação caiu durante aquele determinado período, logo, sua cor será vermelha.

Outros tipos gráficos usados na Análise Técnica

Além do candlestick, existem outros tipos gráficos bastante usados:

  • Linha: é o mais básico encontrado na Análise Técnica. É composto por uma linha que junta os valores do preço de fechamento para uma ação.
Gráfico de linha
  • Área e Barras: É uma variação do gráfico de linhas mas com projeções gráficas diferentes.
Gráfico de Área e Barras
  • OHLC: é o mais completo se comparado aos tipos citados acima. Ele indica os preços de abertura, fechamento, máxima e mínima em cada um dos períodos. A cor das barras indica se o preço subiu (verde) ou se caiu (vermelho).
Gráfico de OHLC
  • Renko: é composto de blocos que não possuem sombras como as candles. Ele desconsidera o tempo, colocando em foco as variações de preço de uma determinada ação. A vantagem deste gráfico é que ele apenas muda com movimentações do preço, não gerando operações quando o mercado se encontra lateral, por exemplo.
Gráfico de Renko
  • Heikin-Ashi: é parecido com o gráfico de candlestick e usa uma fórmula modificada para facilitar a visualização das tendências de alta e baixa. A cor das barras, comum nos três tipos, varia de acordo com o preço da ação no período: verde, se o preço subiu e vermelho, se caiu.
Gráfico de heikin-ashi

Candlesticks de Reversão

Ao avançar seus estudos em Análise Técnica, o investidor passa a enxergar com facilidade e clareza tipos de candle indicando mudanças nas tendências. O primeiro passo para isso é aprender sobre o candlestick de reversão, figura que mostra momentos de inflexão: se o preço da ação estava caindo, ele passa a subir, ou se o preço estava subindo, ele passa a cair.

São 2 os tipos de candlestick de reversão:

Candles de reversão para alta

São indicativos que, se o preço de uma ação estava caindo, ele vai voltar a subir. Têm como característica uma sombra inferior longa e aparecem perto de um suporte. Isso se dá uma vez que indicam que houve um grande aumento de preços desde a mínima, ou melhor, a demanda pelo ativo cresceu.

Candle Martelo

Candles de reversão para baixa

Os candles de reversão para baixa indicam que um ativo que estava em uma tendência de alta pode começar a cair. Suas características são uma sombra superior longa e o posicionamento perto de uma resistência. Isto representa um momento em que a oferta está maior que a demanda, indício que existem mais pessoas vendendo o ativo no mercado.

Martelo Invertido

Conhecendo estes candles e o que cada um representa, que tal fazer um exercício prático?

No gráfico de Análise Técnica, escolha uma ação, coloque o período de um dia e procure pelos candlesticks de reversão observando se a indicação apontada por eles se confirma. É um exercício simples e que vai ajudá-lo a interpretar um gráfico com mais facilidade.

6. Topos e Fundos

O mercado de ações e de futuros (os contratos, divididos em mini contratos de índice e dólar e contratos cheios) não é linear e tem muitas variações, sendo que elas podem apresentar tendências de alta ou tendências de baixa. Isto pode ser notado por topos e fundos consecutivos, que ao traçarmos uma linha horizontal abaixo das mínimas, conseguimos ver se a linha é ascendente ou descendente. Nesse sentido, conseguimos ver a tendência primária e a secundária, abordadas no Capítulo 1.

Topo

Um topo é quando uma ação, ou outro ativo, chega a um preço que o mercado está disposto a comprar.

2 topos seguidos

Fundo

Um fundo é quando uma ação, ou outro ativo, chega a um preço que o mercado está disposto a vender.

Fundo

Uma série de topos forma uma resistência e uma série de fundos forma um suporte, figuras apresentadas no capítulo a seguir. Identificar topos e fundos, bem como grupos deles, vai ser útil na estratégia do investidor, onde ele vai ver possibilidades de compra ou de venda ao saber qual pode ser o preço máximo e mínimo que o mercado está disposto a fazer negócios.

7. Suportes e Resistências

Suportes e Resistências são figuras gráficas percebidas quando o preço não passa de um determinado patamar, seja para o seu valor mínimo ou para o máximo.

Suporte

Acontece quando os preços chegam sempre a um valor mínimo, que varia pouco em períodos futuros no gráfico quando há queda no preço. Assim, se forma fundos consecutivos.

Quando o preço chega no suporte, sua tendência é subir já que ele é o menor valor em que os investidores estão dispostos a negociar e é onde existe muita oferta: a pressão da força vendedora, que ao chegar no topo entra em reversão.

Você perceberá um suporte quando ligar os fundos com uma linha reta.

Suportes

Resistência

Acontece quando os preços chegam a uma máxima que se repete em outros períodos e é visualizado como vários topos. Quando o preço vai se aproximando dessa máxima limite observada, onde existem muitos compradores, a demanda vai perdendo força e a reversão acontece, aumentando as vendas antes da queda. Você perceberá uma resistência quando ligar os topos com uma linha reta.

Resistências

Como usar suportes e resistências a seu favor?

As mínimas e máximas do preço representam o consenso do mercado sobre qual é o valor que os investidores estão dispostos a pagar para a compra e para a venda. Se você observa os gráficos para garantir os melhores preços, pode utilizar estas referências para agir ou, se for o caso, esperar pelo rompimento.

A maneira de usar suportes e resistências a seu favor depende da estratégia do investidor, mas existem práticas bem difundidas como comprar nos fundos do suporte, já que se sabe que ali é uma mínima constante, bem como vender nos topos da resistência.

Outra atitude frente a estas figuras pode ser: vender exatamente após um rompimento de fundo de um suporte (sabendo que o preço irá continuar caindo) ou comprar logo depois do rompimento do topo de uma resistência (sabendo que o preço irá continuar subindo).

8. Linhas de Tendência

As linhas de tendência são os traços no gráfico que permitem ao trader enxergar se existe uma tendência de alta ou de baixa. Como você já aprendeu a identificar topos, fundos, suportes e resistências, as linhas já são bem perceptíveis, basta que você as trace em uma plataforma gráfica.

Linha de Tendência de Alta (Bullish)

As tendências de alta formam-se quando a força compradora é mais forte e domina o mercado: ou seja, mais investidores estão dispostos a comprar e portanto a demanda pelo ativo aumenta, fazendo com que seu preço, suba. Visualizamos uma linha de tendência de alta quando existem topos e fundos consecutivos ascendentes.

Linhas de Tendência de Alta são um ótimo indicativo para os investidores que querem aproveitar as altas para vender ações, opções ou contratos ou até mesmo comprar antes que subam mais.

LTA

Essa linha gráfica também é conhecida por Bullish por causa da analogia com os touros (bull, em inglês), que atacam de baixo para cima, como na tendência de alta.

Linha de Tendência de Baixa (Bearish)

Quando há muitos vendedores no mercado, o preço da ação ou contrato cai e, quando isso é constante, formam-se tendências de baixa, já que a oferta aumenta.

Linhas de Tendência de Baixa podem ser úteis para os investidores que querem comprar ações, opções ou contratos ou vender antes que o preço caia ainda mais.

LTB

O Bearish faz alusão aos ursos (bear em inglês), que atacam de cima para baixo. É por estas analogias que se usa tanto expressões como a “guerra entre touros e ursos” ao se referir às operações na Bolsa.

Como interpretar e agir nas tendências de baixa e nas tendências de alta?

É importante que todo investidor se conscientize de que nenhuma tendência é eterna, afinal, quando o mercado não dá boas oportunidades, pode ser um indicativo de uma possível reversão. Portanto, ao identificar as linhas de tendência de alta (LTA) ou as linhas de tendência de baixa (LTB), procure utilizar um indicador, como as médias móveis, por exemplo, para sinalizar mudanças na movimentação dos preços.

Conseguir identificar candles e figuras gráficas também dá ao trader um entendimento sobre quedas ou altas no preço para, então, definir se é o melhor momento para inverter a posição.

9. Gaps

O Gap, como o próprio nome já diz (intervalo, em inglês), é o espaço entre 2 candles e com ele é possível identificar o próximo movimento de preços. Um gap pode ser de:

  • Exaustão: aponta que após mais um candle haverá reversão;
  • Comum: se fecha rapidamente;
  • Corte: ocorre no rompimento da tendência ou de um suporte ou resistência;
  • Continuidade: ocorre no meio da tendência.
gap

Uma forma de identificar gaps para saber que acontecerão reversões, é por meio da figura ilha de reversão, que você pode ver abaixo.

Ilha de reversão

O Gap é útil para o trader identificar possíveis reversões, o que significa a mudança da força compradora para a força vendedora ou da vendedora para a compradora.

10. Volume

O volume é a quantidade de papéis negociados, sejam ações na BOVESPA ou contratos e mini-contratos na BM&F, em um determinado tempo representado no gráfico.

É essencial que o investidor observe o volume para conhecer a força e a intensidade da movimentação dos preços. Nesse contexto, o volume financeiro representa a quantidade em dinheiro negociado e aponta o total gerado pelas compras e vendas, enquanto o volume por quantidade diz respeito ao total de ações ou contratos negociados em um ativo.

Volume confirmando tendência

Vale observar que se volume financeiro é baixo após o rompimento de um candle, seja ele de alta ou de baixa, haverá uma tendência que é considerada pouco consistente. Ao contrário, tendo maior volume, a tendência é mais forte e consistente, garantindo uma análise mais precisa.

Empresas cujas ações têm alto volume na movimentação, tal qual PETR4 e VALE5, por exemplo, são os papéis mais operados pelos traders já que a análise da tendência se torna mais consistente e mais forte.

11. Figuras da Análise Técnica

Diversos investidores que utilizam a Análise Técnica em sua rotina de operações gostam de usar figuras gráficas para identificar as movimentações do preço de ações, opções e contratos para enxergar mais rapidamente continuidades ou reversões no movimento do preço. Estas figuras são formadas por candles próximos e só serão validadas após um candle de confirmação. Conheça aqui as principais e o que cada uma indica.

  • Retângulo: indica continuidade
Retângulo
  • Bandeira: indica continuidade
Bandeira flâmula
  • Ombro-cabeça-ombro (OCO): indica reversão
OCO

12. O que são Indicadores de Análise Técnica?

Os indicadores técnicos (diferentes dos fundamentalistas que você pode conferir aqui) são uma forma mais eficiente de observar o mercado, sem deixar margem para diferentes interpretações de figuras, por exemplo.

Eles são a representação gráfica de uma fórmula aplicada aos preços e podem assumir diferentes formas, como linhas, canais e áreas preenchidas, dentre outras. O que deve ficar claro ao investidor ao usar indicadores de Análise Técnica é que eles indicam o que pode acontecer com o preço, mas eles não efetivamente mostram se “o ativo certamente vai cair”, afinal, o mercado pode mudar os rumos a qualquer momento.

Os indicadores podem alertar, prever ou confirmar uma movimentação de preço e cada um tem sua particularidade, sendo forte em um tipo de sinal, mas desconsiderando outros. Por isso, é essencial que o investidor estude, teste alguns indicadores e verifique qual atende mais a análise que quer fazer. O melhor indicador varia de acordo com o momento do mercado e com o ativo operado, se são ações ou contratos.

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Os indicadores de Análise Técnica podem ser divididos em grupos como apresentados a seguir. Listamos os mais populares por categoria e para se aprofundar em cada um deles, basta clicar no nome.

Médias Móveis

As Médias Móveis são o conjunto de indicadores mais popular, mais simples e é bastante usado por iniciantes. Pode ser utilizada, preferencialmente, em mercados de fortes tendências porque considera preços do passado para suavizar os preços atuais, entretanto, não é o melhor indicador para apontar compras e vendas, mas sim a movimentação do mercado.

Média Móvel Exponencial

Médias Móveis Simples

Volume

Indicadores de Volume apontam quando movimentos nos preços são realmente relevantes no mercado, ou seja, avaliam a quantidade de dinheiro (quanto entra e quanto sai), verificando também a força causada pelos vendedores e a força vinda dos compradores, exatamente como foi falado no capítulo 10.

OBV - On Balance Volume

ADL - Acumulação/Distribuição

Volume

Momento

Os indicadores de Momento seguem a variação dos ativos apontam com que velocidade os preços mudam e são ótimos para apontar sobrecompras e sobrevendas. Se o preço cai, o Momento também e, caso suba, o Momento aumenta. Indicadores de Momento são considerados complementares aos de Médias Móveis pois são adiantados, já que seu sinal de compra e venda acontece mais rápido.

Momentum

Oscilador Estocástico

IFR - Índice de Força Relativa

TRIX

Williams %R

MFI - Índice de Fluxo de Dinheiro

Volatilidade

Os indicadores de volatilidade são baseados em preços recentes e determinam o que esperar sobre a oscilação do preço de uma ação, bem como dos outros ativos.

Canais de Keltner

Canais de Preço

Bandas de Bollinger

ATR - Average True Rate

Volatilidade de Chaikin

Tendência

Após dominar as Médias Móveis, o investidor iniciante parte para o aprendizado dos indicadores de Tendência, que monitoram a alta e a baixa dos preços. Eles seguem tendências, uma indicação essencial para quem busca trades lucrativos.

SAR Parabólico

MACD

Índice de Movimento Direcional

Aroon

Como escolher indicadores de Análise Técnica?

Em primeiro lugar, o investidor deve se perguntar qual é a principal característica do ativo, seja uma ação ou contrato futuro, naquele momento, para avaliar o tipo de indicador que vai escolher, pensando se o ideal é gerenciar o volume, momento ou outra característica.

A partir disso, você opta pelo indicador (ou indicadores) e começar a observá-lo no gráfico. Se os sinais de compra e venda estiverem bons e condizentes com o resultado que busca em seus trades, pode usá-lo. E, claro, é essencial que entenda o seu funcionamento e como ele indica o que acontecerá com o preço. Interpretar os sinais de cada indicador corretamente é o que irá garantir o sucesso nas compras e vendas.

13. Stops

Quem opera Day Trade, Swing Trade ou Position, seja de forma automatizada ou não, precisa proteger seu capital, evitando perdas mas sem perder oportunidades para aumentar os lucros. Para esta finalidade, é possível fazer uso dos stops, essenciais para quem opera na Bolsa visando ganhos no curto prazo.

Stop de Perda (stop loss)

Usado para definir um valor máximo de perda tolerada pelo investidor, fazendo com que ele faça trades até que, caso o stop de perda seja alcançado, saia da operação. Isso faz com que ele liquide a posição perdedora e evite buscar resgatar o prejuízo se arriscando no mercado e perdendo mais.

O stop não é definido unicamente pelo valor que você aceita perder, mas também por acreditar que, em dado momento, uma ação ou contrato que começa a perder preço, pode cair mais ainda. Além disso, o stop de perda pode ser por operação, diário ou semanal.

stop

Stop de Ganho (objetivo ou alvo)

Ele vai garantir que você evite perdas ou que faça operações erradas após atingir seu alvo. Suponhamos que espera ganhar 5% do capital investido. Então, quando, executar uma venda que garanta esse ganho, você sai da operação.

Na Análise Técnica, os stops podem ser percentuais, em valores absolutos sendo em pontos ou reais (dependendo do segmento em que se opera), para ordens a mercado ou ordens limite, podem ser móveis e podem ser ativados a partir do sinal de um indicador.

Para usá-lo de forma a evitar perdas e maximizar lucros, verdadeiramente, é preciso acompanhar o mercado e perceber como está a volatilidade daquele ativo.

É importante dizer que stops são essenciais e altamente recomendados, sendo a sua ausência o principal erro de traders iniciantes. Se optar por não usá-los, lembre-se de providenciar outras formas de gestão de risco.

14. Robô Investidor e Análise Técnica

Se o trader já tem uma estratégia e entende sobre a Bolsa de Valores, o mercado e o ativo em que opera e utiliza a Análise Técnica, entende indicadores e regras de stop, ele pode automatizar este trading system, ou seja, operar com robôs investidores. Mas por que muitos traders, em vez de operar manualmente via HomeBroker, optam por esta tecnologia? Existem muitas vantagens em operar de forma automatizada:

de disponibilidade para acompanhar o pregão;
  • Opera em mais de um ativo e não quer perder oportunidades, já que precisa monitorar mais de um gráfico;
  • Utiliza sempre a mesma estratégia, então, pode automatizá-la para fazer outras coisas mais importantes;
  • Quer evitar a tomada de decisão pelo emocional ao ver o sobe e desce do mercado, algo comum que afeta até traders mais experientes;
  • Consistência no uso de uma estratégia;
  • Possibilidade de simular e otimizar estratégias constantemente.

Existem formas diferentes para automatizar sua estratégia, porém a mais usada é a criação de um robô a partir da Análise Técnica, justamente porque ela tem regras bem claras sobre sinais de compra, venda, entradas, saídas, stops e gestão de risco. Nesse contexto, é fácil notar que um robô apenas segue as ordens do trader e irá gerar resultados positivos caso o investidor planeje a estratégia, simule e acompanhe as oscilações do mercado para, quando necessário, otimizá-la.

Robôs investidores

Robôs investidores têm muitos benefícios já que permitem ao trader utilizar sua estratégia sem ter que ficar o dia todo acompanhando o pregão. Mas ao automatizar é preciso também tomar o cuidado de usar stops e determinar um objetivo tangível.

15. Conteúdo Extra

Trouxemos neste guia o essencial para você usar os gráficos de Análise Técnica a seu favor ao investir em ações, opções ou em contratos futuros na Bolsa de Valores. Mas aprofundar seus estudos, fazer simulações e investir de fato para aprimorar suas entradas e saídas devem ser constantes na vida de quem quer ser um trader. Por isso, deixamos aqui conteúdos extras para que treine, dê continuidade a seus estudos e tenha acesso a boas ferramentas para praticar.

Plataforma Gráfica Bússola do Investidor: Teste Grátis

7 dicas rápidas para usar a Análise Técnica

Ebook 3 Robôs de Destaque do Desafio de Setups

Day trade ao vivo: salas online para acompanhar a Bolsa com Análise Técnica

Conteúdos em Inglês sobre Análise Técnica

Technical Analysis of the Financial Markets: A Comprehensive Guide to Trading Methods and Applications - John Murphy

Uma bíblia da Análise Técnica, este livro é ótimo para aprender e ter como material de referência.


Trading for a Living - Alexander Elder

Um clássico entre todos os tipos de investidores, aborda todos os aspectos envolvidos na decisão de ter seus investimentos como sua fonte de renda. Elder explica em abordagem simples e prática o que um investidor pode seguir, baseado na calma e da disciplina.


The Visual Investor: How to Spot Market Trends - John Murphy

Outro clássico de John Murphy, ensina o investidor a detectar tendências visualmente, como evitar falhas e sinais de força.


Mastering the Trade - John Carter

Atualmente, um dos livros mais completos sobre operações de Day Trade e Swing Trade usando setups.


Bons Investimentos!

Conheça as melhores ferramentas online para investidores

Gráficos BM&FBOVESPA

Bússola do Investidor

Plataformas e gráficos de análise técnica

Calculadora de IR

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Controle de investimentos na Bolsa e cálculo do imposto de renda.