Gráficos com Análise Técnica Grátis!  Agora o Bússola do Investidor tem gráficos Interativos com Cotações em Tempo Real.   Acesse já!

X
   Adicionar aos favoritos       RSS                            Novo por aqui? Cadastre-se ou faça seu login. 
 
Cadastre-se   |  Faça seu login   |  Planos
ESPECIAIS

O caminho da recuperação econômica


Por Julio Gomes de Almeida em segunda-feira, 1 de abril de 2013 - 19:24
Envie por email  Imprima  RSS Feed RSS

O governo vem promovendo mudanças relevantes na economia. Elas vão desde a redução da taxa básica de juros até a contenção de certos itens de custos para a população e para a produção (a exemplo do custo de energia elétrica), passando por uma política cambial que busca conter o impacto do real valorizado sobre a competitividade da produção.


Além disso, o governo promoveu ainda políticas industriais, acelerou a desoneração tributária e barateou o crédito para o consumidor e para as empresas. Foi anunciado também um programa de vultosos investimentos em concessões ao setor privado no setor de infraestrutura.


Mais cedo ou mais tarde essas ações se traduzirão em crescimento da economia, muito embora o fator mais destacado a explicar a falta de dinamismo nos dois últimos anos, qual seja, a crise da indústria, demandará um certo tempo para a sua solução.


A propósito, a gravidade da situação industrial só será captada se for levado em conta que seus determinantes são profundos e requererão continuidade de políticas para sua superação. A crise mundial desnudou o impasse da indústria brasileira por estreitar os mercados consumidores de bens manufaturados ao redor do mundo, o que potencializou a concorrência pelos poucos mercados dinâmicos existentes, como é o caso do Brasil.


O excesso de capacidade de produção a nível global levou à prática de baixos preços de penetração em mercados com essa característica, mas em nosso país certas condições tornaram especialmente favoráveis a conquista de mercado:


a) as lacunas de nossa estrutura industrial pela não incorporação de setores representativos das revoluções industriais das três últimas décadas, a exemplo do complexo eletrônico, dos bens e serviços referentes à tecnologia da informação e comunicações, da indústria farmacêutica, além de segmentos da química fina;
b) a operação industrial a custos muito elevados, particularmente em se tratando de custos sistêmicos;
c) a prolongada sobrevalorização da moeda que aprofundou o efeito das distorções anteriores; e
d) a evolução diminuta da produtividade nos últimos cinco anos, que não compensou o crescimento de salários.


Outro traço da etapa recente da economia reside no forte declínio do investimento, tanto privado quanto público. A política econômica procurou reproduzir em 2012 o êxito obtido em 2009, quando o incentivo tributário ao consumo de bens duráveis contribuíra para que a economia reagisse bem ao contágio da crise global.


Desta feita, como a estagnação é determinada simultaneamente pela crise industrial e pela queda do investimento, o incentivo ao consumo, embora tenha beneficiado certos setores, foi incapaz de promover a recuperação do crescimento. Esta exigiria a retomada das inversões.


A economia já está crescendo mais, o que em parte equivale a uma mera compensação pelo baixo nível de atividade no início do ano passado. Um processo mais sustentado virá com a reativação do investimento e quando a indústria mostrar sinais de que está conseguindo minorar seus problemas.
 


Este relatório ou artigo não representa necessariamente a opinião do site, tem como único propósito fornecer informações e no constitui ou deve ser interpretado como uma oferta ou solicitação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro. O Bússola do Investidor nem o autor do artigo no declaram ou garantem, de forma expressa ou implícita, a integridade, confiabilidade ou exatidão de tais informações. Este artigo se baseia em informações públicas sobre cujas veracidade e qualidade não temos responsabilidade.
 
Perfil
Julio Gomes de Almeida é doutor em economia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde atua como professor, e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (2006-2007). Entre outras referências e conquistas em sua carreira como economista, Julio é consultor do IEDI - Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial – onde foi diretor-executivo. Foi ainda consultor do BNDES e do PNUD/IPEA em 1997. Sua atuação no mercado e na economia é composta de análises macroeconômicas que buscam uma postura crítica e construtiva em relação à realidade econômica brasileira.

Mais Lidas
Enquete
 
  
Mercados  |  Empresas  |  Corretoras  |  Calculadora de IR  |  Fórum  |  Central de Ajuda  |  Contato
Siga-nos:     


Copyright © 2007- 2017 Bússola do Investidor.
Ao utilizar o site, você concorda com os Termos de Uso .
Cotações Bovespa com 15 minutos de atraso. Clique aqui para ver cotações em tempo real em todo o site.
Todas as opiniões aqui exibidas são de responsabilidade de seus próprios autores e poderão ser retiradas a qualquer momento sem aviso prévio.
Apesar de todo o cuidado na coleta dos dados apresentados, não nos responsabilizamos pela exatidão das informações contidas neste site.