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ARTIGOS

PAC Equipamentos: prós e contras do novo pacote de investimentos


Por Samy Dana & Miguel em quinta-feira, 28 de junho de 2012 - 19:11
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Ontem, 27 de junho, o governo anunciou duas novas medidas seguindo a enxurrada que estamos recebendo nos últimos tempos:

  1. Redução da Taxa de juros de longo prazo (TJLP*) de 6,0% para 5,5%.
  2. Anúncio de investimentos de 8,43 bilhões de reais em equipamentos – chamado PAC Equipamentos.
PAC Equipamentos
PAC Equipamentosgoverno pretende estimular economia com equipamentos comprados de empresas brasileiras    O governo luta, com todas as forças, para não amargar mais um ano de baixo crescimento. Ano passado o PIB cresceu apenas 2,7% e a previsão para este ano é de 2,18%, taxa extremamente baixa para um país em pleno desenvolvimento como o Brasil.   Há quem diga que o governo está apelando para todos os meios, para evitar esse baixo crescimento, desde mandingas, simpatias, discursos e principalmente medidas, e olha que medidas não foram poucas.   As medidas adotadas até agora tiveram como principal objetivo aquecer o consumo. Tais medidas não são novidade já que, desde a redução do IPI para combater a crise de 2008, medidas de estímulo ao consumo têm sido recorrentes e têm ajudado a manter a taxa de crescimento do PIB. Porém, é preciso ressaltar que em economia, assim como no mundo dos negócios, o sucesso passado não é garantia de sucesso futuro.   Os estímulos ao consumo foram tão bem recebidos pela população que muitos consumiram mais do que podiam, causando um alto índice de endividamento das famílias brasileiras. Tal índice preocupa até mesmo as autoridades internacionais e, por isso, o Banco Internacional de Liquidação já alertou o Banco Central Brasileiro. Ademais, não podemos ignorar que a recente crise americana e a atual crise europeia foram causadas, sobretudo, por gastos imprudentes tanto do governo quanto da população.   Nesse sentido, as novas medidas, como o PAC Equipamentos, são melhores que as anteriores, pois atacam aquele que é o considerado por muitos o maior entrave para o desenvolvimento do Brasil: a falta de infraestrutura.   O Brasil investe apenas 20% do seu PIB (contra, por exemplo, 40% na China) e isso se reflete na incapacidade de manter uma taxa de crescimento estável do PIB, o crescimento brasileiro nas últimas décadas pode ser caracterizado por uma trajetória de “vôo de galinha”: crescemos a taxas consideráveis durante dois ou três anos e logo esse crescimento cai abruptamente.   Além de provocar uma trajetória errática de crescimento do PIB, a falta de investimento em infraestrutura se impacta negativamente na qualidade de vida da população através de uma educação precária, estradas e ruas esburacadas, filas nos portos para entregar os produtos, saúde pública em estado de emergência, entre outros.   Para as empresas, a falta de infraestrutura se reflete em custos elevados, que combinados aos altos impostos, são carinhosamente chamados de custo brasil. Isso faz com que seja extremamente caro produzir no Brasil e isso mina a competitividade de nossas indústrias no cenário global.   Assim, podemos afirmar que o governo acertou o objetivo com essas novas medidas. Contudo, é necessário destacar dois pontos negativos a respeito do novo pacote. Primeiro, é que perto da necessidade brasileira essas medidas são de pequeno calibre e que os resultados não serão imediatos.   Segundo, o governo anunciou que pretende estimular a economia por meio desse novo PAC Equipamentos, com equipamentos comprados de empresas brasileiras. Esse tom protecionista que hoje parece ser a solução para incentivar a economia pode custar caro no longo prazo, uma vez que mantém empresas ineficientes às custas de subsídios, que no limite, são pagos pela população.   O protecionismo pode ser comparado, guardadas as devidas proporções, com um filho mimado que não consegue viver sem a proteção dos pais durante toda a vida.   Obviamente, na economia, bem como na educação, proteger faz parte e incentivos são necessários, mas o excesso pode ser prejudicial. No curto prazo, ele pode blindar a economia de problemas pontuais como a crise na europeia, mas proteger de forma contínua faz com que o produto dessas indústrias ineficientes saia mais caro que os demais concorrentes internacionais. A conta desse produto mais caro é paga pelo consumidor o que pode fazer com que, no longo prazo, nosso querido custo brasil continue sendo um empecilho para o desenvolvimento.

TJLP é a taxa de juros cobradas nos empréstimos concedidos pelo BNDES.

 


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Perfil
Samy Dana possui graduação e mestrado em Economia, doutorado em Administração pela EAESP e Ph.D in Bussiness. Atualmente é professor de carreira na Escola de Economia de São Paulo e Coordenador de International Affairs. Publicou e apresentou trabalhos acadêmicos e profissionais nacional e internacionalmente. Consultor de empresas nacionais e internacionais dos setores real e financeiro e órgãos governamentais. Autor de livro "10x sem juros" em coautoria com Marcos Cordeiro Pires.

Miguel Bandeira é graduando em economia pela EESP-FGV, Assistente de Pesquisa da Fundação Getulio Vargas, Consultor e Conselheiro da CJE-FGV. Possui certificação profissional CPA-20.

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