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ARTIGOS

O Mito de Operar nos Topos e Fundos


Por Bastter em quarta-feira, 29 de junho de 2011 - 18:39
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Este mito nasce a partir de outro mito, o de que a Bolsa de Valores é uma instituição que foi criada para colocar dinheiro fácil no bolso de amadores e pequenos investidores. E é alimentado por outro mito, que vem desde a antiguidade que é a ilusão do ser humano de prever o futuro. Até mesmo na mitologia apenas Cassandra de Tróia conseguia prever o futuro mas ninguém acreditava nela, e havia também os ciclopes que receberam a graça de prever o futuro que na verdade foi uma desgraça e não uma graça pois o único futuro que eles conseguiam prever era o dia de sua morte e assim eram seres infelizes pois sabiam o dia que iam morrer.

Todos sabem que no mercado há euforia no topo e depressão no fundo. Acabamos de ver isso em 2007 com euforia descomunal e 2008 com uma depressão que chegou ao ponto de prever o fim do mundo. Pois bem, se há euforia no topo é porque a maioria dos investidores está comprando e se há depressão no fundo, é porque acontece o inverso. Se a massa vendesse no topo e comprasse no fundo estas emoções não aconteceriam, não haveria euforia no topo, pois vendedores não ficam eufóricos e não haveria depressão no fundo, pois compradores não ficam deprimidos.
  A euforia no topo acontece porque tem um monte de gente comprando em uma bolsa que só sobe e a depressão no fundo acontece porque tem um monte de gente vendendo, realizando prejuízo das compras no topo, vendendo a preços mais baratos do que compraram, realizando prejuízos, o que causa depressão. A isso se junta a mídia e um monte de analistas despreparados que vendem planos de riqueza fácil no topo e o fim do mundo no fundo e não há como o pequeno investidor resistir e todos que tentam vencer o mercado fatalmente acabarão por comprar no topo e vender no fundo até seu dinheiro acabar e como a grande maioria ser expulso da bolsa em alguns meses ou poucos anos. Não fosse assim não existiram topos e fundo e nem euforia e depressão.   O mercado não produz nada, vive de comissões, taxas, impostos. Os grandes investidores, as grandes instituições, precisam de liquidez para a contra-parte de suas operações. E daí vem a função da grande maioria dos pequenos investidores na bolsa que caem no conto do vigário da compra no fundo e venda no topo. Porque é um conto do vigário pois subentende-se que comprando no fundo e vendendo no topo você vai conseguir bater o mercado, coisa que até mesmo entre os profissionais é rara pois a maioria dos profissionais vive de taxas e comissões e não de bater o mercado. Se a maioria dos profissionais não consegue, imaginem os amadores. Como o mercado vive de comissões, taxas e impostos e o grandes precisam de liquidez para fechar suas operações é necessário convencer os pequenos investidores que eles vão conseguir comprar no fundo e vender no topo pois eles tem de pagar a conta. Convencendo-os disso, eles irão girar e garantir o bom funcionamento do mercado, sustentando ele.   Através de análises com preços alvo e dicas, publicações na mídia que trazem jovens que supostamente largaram seus empregos e ficaram ricos na bolsa (que só aparecem nos topos), as ilusões das IPOs que dão 40% em um dia (que só aparecem também em épocas de euforia), a ilusão de que ficar em casa apertando botões em uma corretora virtual é um trabalho que vai pagar suas contas, a fantasia do daytrade que te da 400 reais por dia que multiplicado por 20 dias é igual a 8000 reais (quem nunca fez esta conta?), e a disseminação de ilusões nos fóruns através da Internet, o pequeno investidor começa a acreditar  que ele é capaz de vencer o mercado e isso faz com que ele gire e esqueça a função primordial da bolsa para o pequeno investidor que é se tornar sócio de grandes empresas e receber parte de seus lucros. O objetivo passa a ser a ilusão de fazer dinheiro na bolsa que pague suas contas. Com isso ele vai comprar e vender e comprar e vender, as vezes diversas vezes por dia cumprindo seu objetivo de pagar comissões, taxas e impostos e de ser a contra-parte dos grandes que estes im estão vendendo no topo e comprando no fundo, pois se gente grande não vendesse não caia e se não comprassem não subia.   Mas como um mega investidor ou o maior banco do mundo pode vender toneladas de Petrobrás ou Vale do Rio Doce em 2007 sem empurrar os preços para baixo? Eles precisam de toneladas de pequenos investidores comprando para poder vender tudo que tem. Para isso é necessário vender a ilusão da riqueza fácil na bolsa na mídia e através de adivinhos travestidos de analistas e de rapazes que largaram o emprego para viver de bolsa. E como podem comprar de volta suas Petrobrás e Vale do Rio Doce em 2008 quando elas estavam no valor patrimonial sem empurrar os preços para cima? Precisam convencer os mesmos para os quais diziam no topo que a riqueza na bolsa era fácil, que agora a bolsa é um péssimo investimento e que o mundo vai acabar portanto eles devem sair da bolsa e ir para a renda fixa, como se fizesse alguma diferença estar com dinheiro em renda variável ou fixa no dia que o mundo acabar. Mas a massa não pensa e qualquer besteira a convence de fazer o que tiver de mais idiota para ser feito. Claro que o exemplo acima é uma simplificação mas serve para que todos vejam mais ou menos o que acontece. Um exemplo recente real foi com o banco do Brasil. Logo após o governo mudar o presidente do Banco do Brasil e determinar que o Banco do Brasil cobrasse juros mais baixos, se iniciou um pânico de vendas no banco do Brasil pela prosaica razão que o Banco do Brasil era uma empresa estatal que o governo interferia. E ele era o que quando as pessoas compraram as ações? Pois bem, depois de uns dias de queda, a ação subiu quase 70% em linha reta. Os pequenos investidores cumpriram sua função girando para sustentar os custos do mercado pagando comissões, taxas e impostos e sendo a contra-parte vendendo barato aos grandes que estavam querendo comprar. Claro que no topo eles irão finalmente se convencer que fizeram uma besteira vendendo as ações do Banco do Brasil e vão recomprá-las bem mais caro.   A coisa é bastante difundida e em todos os lugares se vê isso, que a forma de vencer na bolsa é comprar no fundo e vender no topo. Isso é alimentado por diversos autores, cursos, pela mídia, pelas corretoras e por adivinhos travestidos de analistas. O objetivo? Que o pequeno investidor abandone o seu objetivo primordial na bolsa que é acumular ações de boas empresas e sustente o sistema com o giro tentando vencer o mercado. E o pior, como ele eventualmente vai conseguir algumas vezes comprar no fundo ou vender no topo ou um amigo dele vai e alguns trades vão dar certo, porque ninguém erra sempre, a memória seletiva dos poucos acertos vai conduzi-lo por um longo tempo de tentativas frustradas. Somam-se a isso amostras viciadas e benchmarks equivocados que criam muitas vezes a falsa sensação de vitória. Em um mercado em alta, mais acertos ocorrem, e isso faz com que o pequeno investidor iludido ache que encontrou um caminho, mas a amostra é pequena demais, apenas alguns meses. Outra ilusão vem de comparar com o dinheiro que ele tinha antes e como este pode ter crescido durante um tempo, ele acredita que está vencendo, quando a comparação deveria ser com o que estaria acontecendo se durante anos ele estivesse acumulando uma carteira de boas ações e reaplicando dividendos. Tudo isso somado a pressão da mídia, dos agentes que lucram com o giro e dos “analistas” leva a maioria dos pequenos investidores a ir por este caminho que inclusive, infelizmente, tem uma aura de esperteza, pois o “trader” parece ser um sujeito esperto. Coloquei trader entre aspas porque a atividade verdadeira de trader é coisa muito séria e uma das atividades mais complexas e difíceis do mercado. Pequenos investidores iludidos, em casa, perdidos, comprando e vendendo 20 vezes por dia porque fulano disse que vai bombar, porque a ação XX é a vedete do fórum ou simplesmente porque teve um feeling, não é um trader, é apenas um sustentador do sistema. São coisas bem diferentes.   Pois bem, então o que acontece. Quando a bolsa está em alta, ou no topo, você é chamado para pagar a festa através do giro. Quando ela ta no fundo você é convidado a se retirar e só voltar quando ela estiver “boa” novamente, ou seja no topo ou próximo dele. Se quer ganhar dinheiro no giro, vire um intermediário ou entre para o governo. Não há nada de errado em receber comissões ou impostos nem nada de ilegal nisso. É uma atividade como qualquer outra. Mas se for para trabalhar com giro, que seja recebendo as comissões e não pagando. Junte todas suas faturas no fim do ano e some o que você gastou de comissões, taxas e impostos. Some a isso o spread que não tem como saber o valor exato mas fique tranqüilo que chega ao menos a 50% dos outros gastos somados. Você poderia estar ficando rico. Bastava pegar todo este dinheiro e investir ao invés de destruir. A chance do pequeno investidor que gira vencer o que poupa sem contar os custos do giro já é pequena, pois a tendência é ele comprar no topo e vender no fundo, contando com os custos se torna quase impossível vencer, pois além de acertar muito e se beneficiar de seus acertos ao mesmo tempo em que perde pouco nos erros, ele tem de pagar o custo imenso do giro. Para um amador quase impossível. Para um profissional é possível, mas mesmos estes, como já foi dito, vivem a maioria de taxas e comissões e não propriamente de bater o mercado, o que, como já foi dito também, não é nada de errado ou ilegal. Eles estão fazendo o trabalho deles, mas a decisão é sua se deseja continuar sustentando o sistema ou se quer que a bolsa passe a trabalhar para você.   E como o pequeno investidor coloca a bolsa para trabalhar para ele? Em primeiro lugar desistindo de vez desta ilusão de bater o mercado e de que vai conseguir comprar no fundo e vender no topo com tamanha eficiência que supere ser sócio de boas empresas e supere os custos do giro. Depois voltar a se dedicar ao seu trabalho, ao seu desenvolvimento profissional para  que produzir mais capital e poder poupar mais, pois a bolsa é um excelente instrumento, talvez o melhor, para remunerar capital, mas um péssimo instrumento para ganhar dinheiro, fazer dinheiro ou pagar salário. A bolsa só paga salário para seus empregados. Parte da poupança do dinheiro que vem do seu trabalho então você vai comprar ações de empresas boas, das top, blue chips para se tornar sócio das mesmas. Abandone também a ilusão dos “micos” e de descobrir uma bela empresa que ninguém conhece, abandone de vez a pseudo-esperteza na bolsa, como bem diz o meu irmão, o Predador, todos os espertos na bolsa terminam no Cemitério dos Malandros. Pense em se tornar sócio de grandes empresas e receber os dividendos da mesmas, dividendos estes que você irá reaplicar nas empresas. Este é o grande caminho para o pequeno investidor na bolsa e os juros compostos da bolsa. Você vai começar a ver seu capital aumentar através dos anos e ter sua vida de volta, pois o giro além de levar o seu dinheiro, leva também embora sua vida e sua saúde de tantos transtornos e angústias que causa. Claro que não há nenhuma garantia que uma empresa boa vai ser boa para o resto da vida. Se o mercado abandoná-la, troque. Vai perder algum dinheiro nesta troca mas renda variável é assim, é variável, não é garantida. Há ainda a possibilidade de fazer venda coberta, ou seja, vender opções sobre sua carteira de ações, para comprar mais ações. Não é obrigatório e nem garantido, mas se bem feito e tendo sempre como objetivo a carteira de ações e não a venda de opções, pode alavancar mais um pouco sua carteira de ações alem dos dividendos. Quem quiser aprender sobre isso pode passar no meu fórum na Bastter.Com.   A riqueza vem de trabalhar, poupar e acumular capital. Quanto mais capital você acumula, mais rico você é. A bolsa de valores tem sido no mundo capitalista, o local onde este acumulo tem sido mais eficiente. Então cabe ao pequeno investidor que entra na bolsa decidir se ele vai fazer ela trabalhar para ele, comprando ações de boas empresas, se tornando sócio de grandes empresas e recebendo parte do seus lucros alem do ganho de capital ou se ele vai sustentar o sistema através do giro. Isso é decisão de cada um. A riqueza do pequeno investidor é produzida pelo acumulo de capital. O giro produz riqueza para os que recebem taxas, comissões e impostos. Cada pequeno investidor decide se ele quer produzir riqueza para ele ou para o sistema. É direito de cada um fazer o que achar melhor, assim como é direito de cada um viver a realidade ou usar de todos os artifício possíveis para se iludir que tá vencendo um jogo que ele nem entra em campo, apenas paga o ingresso.

Maurício “Bastter” Hissa é palestrante de educação financeira, mercados e opções, autor dos livros Investindo em opções e Sobreviva na bolsa de valores, além de ter traduzido e adaptado diversos livros sobre mercado e economia. Amante dos esportes, ele pratica ativamente triatlo e corrida de rua. O nome Bastter foi “emprestado” de seu cão Pastor Branco. É autor do site Bastter.com - voltado aos iniciantes no mercado financeiro, com área de aprendizado, fórum de mercado e muito mais.


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Perfil
Maurício “Bastter” Hissa é palestrante de educação financeira, mercados e opções, autor dos livros Investindo em opções e Sobreviva na bolsa de valores, além de ter traduzido e adaptado diversos livros sobre mercado e economia. É autor do site Bastter.com, voltado aos iniciantes no mercado financeiro.

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