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ARTIGOS

Investindo em tempos de inflação alta


Por Conrado Navarro em quinta-feira, 13 de outubro de 2011 - 17:28
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Danilo comenta: “Navarro, tenho acompanhado o noticiário econômico com atenção e não há um dia em que a inflação não esteja na pauta. Sou um investidor conservador e tenho optado pela caderneta de poupança, mas com a alta da inflação fui alertado por um amigo de que essa decisão pode acarretar perda do meu poder de compra. Quais são as opções, também seguras, mais rentáveis que a poupança atualmente? Obrigado”.

A dúvida sobre o melhor investimento conservador é comum e merece atenção. A questão principal que deve ser analisada é a rentabilidade líquida das alternativas disponíveis, ou seja, qual o retorno real que cada aplicação oferece quando comparados prazos iguais no investimento. Por retorno real compreende-se o percentual de ganhos depois de descontados impostos, taxas de administração e inflação no período.

Por que o medo da inflação?
A inflação é realmente tema recorrente na mídia especializada. Não por acaso. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Ajustado) acumula 7,31% no período de 12 meses encerrado em setembro passado. No ano, o mesmo IPCA já atinge 4,9%, valor acima do centro da meta estipulada pelo governo para o ano todo, de 4,5%. A previsão oficial do BC (Banco Central) para este ano é de 6,4%. O mercado acredita em pelo menos 6,5%, valor que configura o teto da meta. Se desejar, leia mais sobre o regime de metas de inflação em um artigo do Ricardo Pereira.

A variação de preços já é sentida em diversos estabelecimentos. Em termos práticos, a inflação significa a perda do poder de compra da moeda frente aos preços praticados no mercado em geral. O valor de um produto daqui alguns meses/anos será diferente daquele praticado hoje. Logo, a decisão de investir de forma a multiplicar seu patrimônio precisa considerar escolhas capazes de sustentar (aumentar) seu poder de compra ao longo do tempo.

Opções conservadoras de investimentos
Neste texto, apresento uma análise simples e objetiva dos principais tipos conservadores de aplicação e suas características diante do cenário de alta inflação.

Caderneta de poupança
Isenta de taxas e impostos, é recomendada como colchão financeiro para emergências (fundo de reserva) e objetivos de curtíssimo prazo (até seis meses). Com liquidez imediata e facilidade/comodidade na operação, é muitas vezes a “porta de entrada” de muitos brasileiros no mundo dos investimentos.

Rentabilidade: mínimo de 0,5% ao mês mais TR (Taxa Referencial), que varia de acordo com a taxa média dos CDBs dos 30 maiores bancos.
Rentabilidade dos últimos 12 meses: 7,31%.

Fundos de Renda Fixa
Opção administrada por bancos/gestores, que permitem ao investidor participar mediante negociação de cotas e pagamento de uma taxa de administração. As decisões de investimentos do patrimônio do fundo são responsabilidade dos administradores e se concentram em títulos diversos, tanto pós-fixados (Fundos DI), quanto prefixados (Fundos de Renda Fixa).

Rentabilidade: o retorno está normalmente atrelado à variação da taxa básica de juros da economia (Taxa Selic), atualmente em 12% a.a., que baliza as operações e empréstimos entre as instituições financeiras e o CDI (Certificado de Depósitos Interbancários).

Rentabilidade média (12 meses) dos Fundos DI: 8,96%.
Rentabilidade média (12 meses) dos Fundos de Renda Fixa: 9,48%.
Os valores acima expressos já tem descontada a taxa de administração, mas não o IR (Imposto de Renda), que será detalhado ao final do artigo. Os dados foram retirados do site da ANDIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

CDB (Certificado de Depósito Bancário)
São títulos de dívida emitidos pelos bancos que normalmente possuem prazo de vencimento que variam de 30 dias a dois anos. Por oferecerem os títulos em troca de dinheiro para se capitalizar (e emprestar mais caro), os bancos não cobram taxas de administração.

O risco de um investimento em CDB está diretamente relacionado à saúde financeira da instituição que vende o título. Problemas financeiros podem significar falta de liquidez e de capital para honrar os compromissos com os clientes. Caso o banco quebre, o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) garante até R$ 70 mil de volta por CPF.

Rentabilidade: as taxas pagas ao cliente variam bastante, o que significa rentabilidade diferente de acordo com o banco escolhido. Bancos menores, e por consequência com maiores chances de calote, oferecem maior rentabilidade. No entanto, bancos maiores tendem a oferecer maiores facilidades (aporte menor, resgate automático etc.).

O retorno do CDB deve perseguir o CDI ou a Taxa Selic. Procure títulos que paguem, pelo menos, 95% do CDI. Conseguir 100% ou mais é desejável, mas nem sempre é fácil para aportes iniciais mais baixos ou prazos mais curtos. Bancos pequenos e médios já oferecem essa opção por aqui, com qualquer aporte mínimo e pagamento de 100% do CDI para CDB sem carência e até 110% do CDI para CDB com carência de três anos.

Rentabilidade média (12 meses) do CDB para pequenas quantias: 9,41%. Esse valor não contempla incidência do IR (Imposto de Renda), que será detalhado ao final do artigo. Os dados são da Agência Estado.

Títulos Públicos (Tesouro Direto)
Títulos públicos são ativos de renda fixa cujo objetivo é viabilizar a captação de recursos para: a) financiar o déficit orçamentário; b) refinanciar a dívida pública; e c) realizar operações para fins específicos, definidos em lei. São quatro as modalidades de título disponíveis e seus tipos variam de acordo com o perfil do investidor e tempo de investimento (curto e médio prazo).

Para aplicações de curto prazo, estão disponíveis as Letras do Tesouro, nas opções LFT (Letra Fiananceira do Tesouro) e LTN (Letra do Tesouro Nacional). Para o médio prazo estão disponíveis a NTN-B (Nota do Tesouro Nacional série B) e NTN-F (Nota do Tesouro Nacional série F).

Rentabilidade: a rentabilidade varia de acordo com o tipo de título e o preço de aquisição, podendo ser prefixada (LTN), indexada à taxa SELIC (LFT), indexada ao IGP-M (NTN-C) ou indexada ao IPCA (NTN-B). Para detalhes e dicas sobre cada opção e como investir, leia o artigo “Tesouro Direto: como investir, rentabilidade, vantagens e características”.

Rentabilidade (12 meses) de uma LFT com vencimento em 01/2013: 12,8%.
Rentabilidade (12 meses) de uma NTN-B com vencimento em 08/2012: 14,4%.
Os valores acima expressos já têm descontadas a taxa de custódia da CBLC (0,4% a.a.) e a taxa média dos agentes de custódia (0,3% a.a.), mas não o IR (Imposto de Renda), que será detalhado ao final do artigo. Os dados foram retirados do site do Tesouro Direto.

Recolhimento de Imposto de Renda para Renda Fixa
À exceção da caderneta de poupança, todos os demais investimentos em renda fixa determinam que o investidor deva recolher Imposto de Renda sobre os ganhos mediante tabela de alíquotas estabelecida pela Receita Federal:

  • Investimentos com prazo inferior a seis meses, alíquota de 22,5%;
  • Prazo superior a seis meses, mas inferior a 12 meses, alíquota de 20%;
  • Prazo superior a doze meses, mas inferior a 24 meses, alíquota de 17,5%;
  • Prazo superior a 24 meses, alíquota de 15%;
  • Fundos tem ainda a cobrança semestral do IR na figura do come-cotas. Acesse e leia o artigo “Imposto de Renda nos fundos de investimento em renda fixa: o famoso come-cotas” e entenda como ele funciona. Eventuais diferenças são pagas no momento do resgate.

Comparativo das rentabilidades
Com o objetivo de apresentar uma análise mais prática, decidi levantar os possíveis retornos dessas alternativas consultando os sites dos bancos, órgãos reguladores, ANBIMA e Tesouro Direto para montar um quadro comparativo entre as rentabilidades mínimas e máximas encontradas.

Cabe ressaltar que as taxas exibidas contemplam desconto das taxas de administração, custódia e IR correspondente a 20% dos ganhos (prazo entre um e dois anos). Por isso os valores diferem um pouco dos apresentados nos resumos de cada aplicação publicados alguns parágrafos acima.

Ao observar o comparativo abaixo, tenha em mente que as rentabilidades mínimas apresentadas foram encontradas buscando histórico recente das alternativas indicadas: para os fundos, este grupo representa os produtos com taxas de administração altas, de 2% a 4,5%; no caso dos CDBs, estão com rentabilidades menores aqueles de bancos grandes, que normalmente pagam entre 75% e 85% do CDI.

Para a rentabilidade máxima foram pesquisados produtos mais interessantes (tanto fundos quanto títulos) em bancos menores e menos famosos. Para todas as opções foi respeitado o prazo de doze meses. Logo, a distorção entre o retorno mínimo e o máximo se dá por conta das muitas opções disponíveis no varejo, o que mostra a importância de pesquisar muito antes de aceitar a primeira oferta de seu gerente de contas.

Comparativo de rentabilidades das alternativas conservadoras

Análises e conclusões
O texto de hoje tem como objetivo servir de referência para suas decisões de investimento reforçando a importância de conhecer bem as aplicações conservadoras disponíveis atualmente. Cabe destacar algumas conclusões a partir das informações aqui publicadas:

  • Por sua característica simples e acessível, a caderneta de poupança oferece boa rentabilidade para quem deseja começar a criar o hábito de poupar e pretende usar o dinheiro em um prazo inferior a seis meses (período em que a alíquota de IR das demais alternativas bate em 22,5%);
  • Escolher um fundo DI ou fundo de renda fixa sem pesquisar muito bem pode significar rentabilidade líquida menor que a da caderneta de poupança. Neste sentido, o alerta é em relação à taxa de administração cobrada, que deve ser inferior a 1,5%, e à estratégia de investimento do fundo, claramente detalhada em seu prospecto. Fundos com taxas mais altas dificilmente renderão mais que a poupança no curto prazo;
  • CDBs e Títulos Públicos tem uma rentabilidade líquida semelhante para os piores casos, mas a opção pelo Tesouro Direto é mais inteligente porque oferece liquidez maior e maior segurança. Alguns bancos maiores só chegam a 85% ou mais do CDI exigindo carência no investimento (prazo mínimo). Os títulos tem leilões semanais e um mercado secundário bastante ativo;
  • CDBs de bancos médios e menores tendem a oferecer rentabilidades muito interessantes, bem acima dos concorrentes mais famosos. Neste caso, em que a solidez da instituição não é tão reconhecida, a dica é investir montantes que não ultrapassem o limite garantido pelo FGC, ou seja, R$ 70 mil;
  • Os títulos públicos (Tesouro Direto) oferecem excelentes rentabilidades no médio prazo, especialmente se consideradas as opções pós-fixadas e atreladas à inflação. Particularmente, gosto e recomendo a NTN-B por sua característica de preservar o poder de compra aliada a uma taxa de retorno bastante atrativa;
  • No geral, são boas as perspectivas para quem deseja garantir bons retornos através de aplicações conservadores. Tomar essa decisão diante do desejo explícito do governo e do BC em continuar baixando os juros e optar por investir diretamente em títulos privados (CDBs) e públicos (Tesouro Direto) tende a trazer retornos mais interessantes que produtos bancários tradicionais (fundos e caderneta de poupança).

Por fim, cabe lembrar que as alternativas não são excludentes, isto é, você pode (e deve) investir de forma a diversificar sua cesta de investimentos. Você deve criar sua estratégia de acordo com seus objetivos de curto, médio e longo prazo, além de certificar-se de que suas decisões sejam coerentes com seu grau de aversão ao risco.

Eu, por exemplo, gosto de manter o fundo de emergência com muita liquidez (poupança) e então aproveitar os CDBs de bancos pequenos para capitalização de curto prazo (até R$ 70 mil) e títulos públicos atrelados à inflação para sustentar metas de médio prazo (assim garanto o poder de compra sempre). Para o longo prazo prefiro o investimento em renda variável (ações e fundos de ações de gestores independentes).

Espero ter contribuído de forma a enriquecer o debate que cerca as decisões mais conservadoras de investimentos. Para mais detalhes das alternativas disponíveis e informações sobre as rentabilidades, leia também o excelente texto “Reavalie seus investimentos com a nova etapa da crise mundial”, do blog “Ganhar, Gastar, Guardar” editado pela jornalista Denyse Godoy no portal Folha.com.


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Perfil
Conrado Navarro é bacharel em Ciências da Computação, possui MBA Executivo em Finanças e mestrando em Produção (Economia e Finanças) pela UNIFEI. Sócio-fundador do Dinheirama e autor dos livros “Vamos falar de dinheiro?” (Novatec) e “Dinheirama” (Blogbooks Ediouro).

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