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ARTIGOS

Entendendo a fraqueza dos EUA


Por Leonardo Mello em segunda-feira, 11 de julho de 2011 - 12:40
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Mais um mês se passa e a economia norte-americana não consegue apresentar um número forte de criação líquida de empregos e redução consistente da taxa de desemprego (atualmente 9,2%) para um patamar semelhante ao verificado no período anterior a crise (em torno de 5,5%).

As causas para a fraqueza do mercado de trabalho norte-americano são variadas e complexa, e objetivo desta coluna é sintetizá-las e dar ao leitor uma compreensão dos motivos por trás da repetição de notícias ruins sobre o mercado de trabalho local.
  Em primeiro lugar, é preciso lembrar que no período do último ciclo de expansão da economia norte-americana (aproximadamente entre 2003 e final de 2007), um boom imobiliário ocorreu na economia local, favorecido por taxas de juros muito baixas no financiamento de imóveis, mesmo para pessoas com risco de crédito mais alto (possibilitado por sofisticados instrumentos financeiros que “empacotavam” créditos de riscos variados e eram negociados nos mercados secundários como sendo de baixo risco).   Com isso, o setor de construção civil ficou extremamente aquecido e houve elevado número de novas construções, muito acima da capacidade de absorção do mercado, que passou a uma bolha, ou seja, especulava-se com os imóveis e os preços subiam artificialmente, ou seja, sem fundamento na dinâmica da oferta e demanda.   Quando o banco central local passou a subir as taxas de juros para conter o processo inflacionário em curso na economia local, o custo dos financiamentos que eram pós-fixados em sua maioria passou a subir e a demanda por imóveis recuou. Neste primeiro momento, os preços e a demanda de imóveis pararam de subir, mas a oferta por imóveis não parou, pois o processo entre a decisão de construir um imóvel e sua entrega leva um prazo de no mínimo muitos meses.   Num segundo momento, a alta da taxa de juros passou a afetar a economia reduzindo o crescimento e aumentando a taxa de desemprego. Foi aí que ocorreu o estouro da bolha do setor, pois os riscos elevados de crédito passaram a se tornar inadimplentes num número crescente. Neste processo, os bancos executavam despejos das casas não pagas e partiam para venda no mercado. Isso aumentava ainda mais a oferta de imóveis numa economia com demanda já em queda. Isso teve como resultado uma forte queda dos imóveis e este mercado entrou numa espiral negativa, já que os especuladores também foram às vendas. As empresas que exerciam financiamento de imóveis foram praticamente a bancarrota e o governo interveio para mantê-las operando, houve forte redução dos juros, mas mesmo assim, muitas pessoas estavam pagando por casas que valiam muito menos do que o saldo dos empréstimos, ou seja, uma estratégia dominante para muitas famílias passou a ser não pagar o empréstimo mesmo tendo condições e comprar outra casa.   Do colapso dos imóveis surgiu uma fraqueza estrutural para o mercado de trabalho norte-americano. Cerca de 100 mil vagas líquidas adicionadas por mês evaporou (na crise, teve uma contribuição muito negativa e agora é praticamente nula) (no período de auge da expansão norte-americana a criação de empregos era em torno de 300 a 400 mil vagas, sendo que são necessárias cerca de 150 mil por mês para absorver os novos entrantes no mercado de trabalho).   Outro fator fundamental e de causas ainda mais antigas é a migração da indústria de mão-de-obra intensiva dos EUA para outros países com custo de trabalho mais baixo. Esse processo foi acelerado pelos incentivos do governo chinês (e de outros países da região) para instalação de plataformas de exportação. Com isso, o benefício de produtos mais baratos para os consumidores teve como contrapartida uma redução da demanda por mão-de-obra.   Junto à isso, o que também tem prejudicado a criação de empregos nos EUA é a situação das finanças dos governos estaduais e locais. O principal gasto destes governos é a folha de pagamentos. Em situação de dificuldade em fechar as contas, corta-se temporariamente serviços públicos, essenciais ou não. Essa é a situação atual com as dificuldades de arrecadação geradas pela queda dos preços dos imóveis, lentidão na recuperação da atividade e repasse menor do governo central.   Essa mudança da dinâmica do mercado de trabalho tem feito com que muitas pessoas que não conseguem emprego desistam de procurá-lo, a esse efeito damos o nome de desalento. Esse fenômeno ajuda a conter a alta da taxa de desemprego (número de pessoas que procuram emprego sem sucesso dividido pelo número de pessoas em idade produtiva). Assim, mesmo quando o mercado de trabalho engrenar, possivelmente a taxa de desemprego não vai cair rapidamente, pois essas pessoas “desalentadas” tendem a voltar a procurar emprego. Ou seja, a taxa de desemprego nos EUA deverá ficar elevada por um período prolongado de tempo.

Leonardo Mello é formado em Economia pela FEA-USP e trabalha no departamento econômico de um grande banco europeu. Para entrar em contato acesse seu perfil ou mande um email para economista@bussoladoinvestidor.com.br.


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Perfil
Leonardo Mello é formado em Economia pela FEA-USP, mestrando em Teoria Econômica pelo IPE-USP e trabalhou no departamento econômico de um grande banco europeu.

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