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ARTIGOS

A inadimplência é a única vilã dos spreads bancários?


Por Samy Dana & Miguel em segunda-feira, 6 de agosto de 2012 - 12:57
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Uma das marcas da política econômica deste ano, sem sombra de dúvidas, foi a tentativa de fazer com que os bancos reduzam os spreads bancários (1).
  De um lado o governo critica os bancos dizendo que estes são abusivos e dificultam o acesso ao crédito, de outro os bancos se defendem dizendo que as inadimplências recordes no Brasil não possibilitam a redução dessas taxas, como deseja a presidente Dilma.   Para saber se essa justificativa é valida temos que entender o mecanismo de crédito no Brasil.   A grande maioria dos bancos possui modelos estatísticos para avaliar a capacidade de pagamento de um cliente no varejo, conhecidos como escore de crédito. O escore de um cliente nada mais é que uma nota que o banco atribui de acordo com a probabilidade de não pagamento de um empréstimo.   Quanto mais alta a nota, maior a chance do cliente não honrar com seu crédito. Em outras palavras, ao realizar uma operação de empréstimo os bancos cobram um “prêmio” pelo risco do devedor não honrar o compromisso. Quanto maior o risco de incumprimento de um empréstimo, maior então deve ser esse prêmio, que nesse caso é representado pela taxa de juros cobrada.   De maneira simples, pode-se supor uma escala de 0 a 10, na qual 10 representa 100% de probabilidade do cliente não pagar e 0 representa 0% de chance desse fato ocorrer.   Pelo que se vê, a grande maioria dos bancos tem uma postura conservadora. Assim, clientes que possuem escore menor ou igual a uma determinada nota, por exemplo 3 (ou seja, possuem até 30% de chance de dar calote), recebem o empréstimo. Já para os que tiveram nota maior que 3 o crédito não é concedido.   O grande problema é que nos bancos, em sua maioria, não há discriminação entre os clientes aprovados. Dessa forma, são cobradas as mesmas taxas do cliente nota 1 e do cliente nota 3.   O ideal seria que o banco concedesse um crédito com uma taxa menor ao cliente nota 1 do que ao cliente nota 3, uma vez que o primeiro possui uma menor probabilidade de não pagar o empréstimo. Isto seria mais justo e reduziria a inadimplência e o spread bancário.   Quando os bancos optam por não diferenciar os clientes, a inadimplência tende a aumentar, pois a taxa de juros cobrada atualmente é uma média das diversas taxas de juros que deveriam ser cobradas de diferentes clientes.   Por exemplo, a taxa de juros que acaba sendo cobrada é de, digamos, 10% ao mês, quando deveria ser de 8% para o cliente com escore de crédito 1 e de 12% para o cliente com escore 3.   Em outras palavras, o perfil do crédito emprestado piora, pois bons pagadores tomam menos crédito, enquanto maus pagadores tomam mais crédito. Isto porque os clientes com escore 1 tomariam mais dinheiro emprestado se a taxa de juros fosse 8%. Analogamente, os clientes com escore 3 tomariam menos dinheiro emprestado se a taxa de empréstimo para eles fosse de 12%. Assim, como o perfil do crédito piora, a inadimplência sobe.
Esse fato é a famosa seleção adversa (2) do mercado de crédito, na qual a taxa fica muito cara para o cliente com risco baixo, restando aos bancos apenas clientes de riscos mais alto, o que contribui para o aumento da inadimplência.   Vale destacar que esse tipo de medida de diferenciação já ocorre para pessoa jurídica. Os bancos, por meio de seus comitês de créditos, decidem o quanto vão emprestar e o quanto será o spread de acordo com o perfil de cada empresa.   A consequência disso? A inadimplência e o spread para empresas são inferiores aos das pessoas físicas, como vemos pelos gráficos a seguir.  Inadimplência operações de Crédito Inadimplência operações de crédito 2     Alguns podem argumentar que é devido à saúde das mesmas, outros poderiam dizer que o crédito é dado com mais responsabilidade às empresas do que às pessoas físicas.   Se isso já acontece com empresas por que não levar este mecanismo para as pessoas físicas, abrindo espaço para a redução do spread bancário? Não seria mais justo privilegiar aqueles que possuem um histórico de bons pagadores? Até quando os bons pagadores serão penalizados pelos maus por culpa da falta de discernimento dos bancos?   Post em Parceria com Leonardo de Siqueira Lima e Daniel de Lima, graduandos em Economia pela EESP.

(1) Spread bancário, em termos simplificados, é a diferença entre a taxa de juros cobrada aos tomadores de crédito e a taxa de juros paga aos depositantes pelos bancos. (2) Seleção adversa: conceito amplamente usado em economia que ocorre no mercado de crédito quando o credor não é capaz de distinguir entre projetos com diferentes níveis de risco no momento do contrato de empréstimo.  

 


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Perfil
Samy Dana possui graduação e mestrado em Economia, doutorado em Administração pela EAESP e Ph.D in Bussiness. Atualmente é professor de carreira na Escola de Economia de São Paulo e Coordenador de International Affairs. Publicou e apresentou trabalhos acadêmicos e profissionais nacional e internacionalmente. Consultor de empresas nacionais e internacionais dos setores real e financeiro e órgãos governamentais. Autor de livro "10x sem juros" em coautoria com Marcos Cordeiro Pires.

Miguel Bandeira é graduando em economia pela EESP-FGV, Assistente de Pesquisa da Fundação Getulio Vargas, Consultor e Conselheiro da CJE-FGV. Possui certificação profissional CPA-20.

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