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ARTIGOS

A empresa deu lucro e a ação caiu?


Por Samy Dana & Miguel em domingo, 15 de abril de 2012 - 20:12
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 Artigo em Parceria com Miguel Bandeira que é graduando em Economia pela EESP, Consultor e Conselheiro da CJE-FGV

A alta volatilidade do mercado acionário possibilita elevados retornos ou elevadas perdas em um curto espaço de tempo. Apesar de os altos retornos serem uma possibilidade, é mais comum ouvirmos histórias de pessoas que tiveram enormes perdas na bolsa do que de pessoas que tiveram grandes ganhos. 

Um bom exemplo é o de Milton Cruz, atual auxiliar técnico do São Paulo. O ex-jogador, que teve praticamente toda a sua vida ligada ao futebol, resolveu se aventurar no mercado financeiro, investindo em papéis da Boi Gordo.

A aventura tornou-se um pesadelo quando a empresa pediu concordata no fim de 2001. Afim de recuperar o dinheiro perdido, Milton foi para Arábia. Recuperou o dinheiro, porém não deixou de investir na bolsa. A conselho de um amigo comprou ações de um banco. O único problema é que o banco era o Banco Santos.

No caso de Milton Cruz o motivo das perdas foi claro: as empresas que ele possuía as ações faliram. Mas em outros casos, a lógica do mercado acionário não é tão clara.

É possível um investidor comprar um papel, a empresa dar lucro e, mesmo assim, o preço desta ação cair. Um exemplo disso foi o que aconteceu com as empresas do índice Ibovespa em 2010, quando a soma dos lucros dessas empresas atingiu a cifra de R$ 167,4 bilhões (um aumento de 32,2% com relação aos lucros de 2009) e, ainda assim, o índice apresentou uma queda de 1,06%.

Também é possível uma empresa apresentar prejuízos e as suas ações subirem, como aconteceu com a Telebrás entre 2008 e 2009. Nesse período, a empresa apresentou prejuízos acumulados de mais de R$ 52 milhões, enquanto as suas ações preferenciais apresentaram uma valorização de 56%.

 

Mas afinal, por que é tão difícil ganhar no mercado acionário?

No mercado acionário, a maioria dos investidores utilizam modelos de avaliação de empresas (os famosos modelos de valuation) para determinar o preço justo de uma ação em determinado instante de tempo. 

Existem inúmeras variações desses modelos, porém a ideia básica de todos eles é a mesma: o preço justo de uma ação será igual ao valor presente dos ganhos futuros esperados, que por sua vez são estimados pelas expectativas do mercado.

A partir desse preço justo, os participantes do mercado decidem se devem ou não comprar uma determinada ação. A regra é simples e beira o óbvio: se o preço atual da ação for inferior ao preço justo, dizemos que a ação está subprecificada e, portanto, devemos compra-la. Analogamente, quando o preço justo é inferior ao preço atual, dizemos que a ação está sobreprecificada, logo devemos vende-la.

Assim, as expectativas quanto aos ganhos futuros são cruciais na determinação do preço do preço justo das ações que, por sua vez, é fundamental para a determinação dos preços das próprias ações. Vejamos o que isso implica na prática. 

Suponha que o mercado espere que a Petrobrás descubra dois poços de petróleo. Nesse caso, a notícia da descoberta de dois poços de petróleo não deverá afetar o preço das ações da Petrobrás, uma vez que, todos os analistas já incorporaram esse fato às suas expectativas de ganhos futuros e, portanto, já incorporaram isso no cálculo do preço justo da ação. No jargão do mercado financeiro, quando isso ocorre é usual dizer que o evento já está precificado.

Contudo, se a Petrobrás anunciar que descobriu 3 poços ao invés de dois, após o anúncio esperamos que os participantes do mercado comecem a aumentar as suas expectativas de ganhos futuros, com isso, os novos preços justos deverão ficar acima do preço de mercado, o que induzirá os investidores a comprar as ações da Petrobrás e, portanto, seu preço deverá subir.

Ainda no exemplo acima, se a Petrobrás encontrar apenas um novo poço, apesar da descoberta ter sido uma notícia boa, o preço das ações pode desabar.

Muitos presenciam isso quando recebem uma recomendação de filme. Às vezes um filme bem feito pode decepcionar simplesmente pelas altas expectativas criadas nas recomendações. De modo análogo, quando não se espera nada por um filme, até um filme mais ou menos pode gerar uma grata surpresa.

Em suma, a relação entre expectativas, preços das ações e notícias é a seguinte: notícias que confirmam o que já era esperado pelo mercado não afetam o preço das ações, este só será afetado por eventos que não eram esperados (ou no jargão do mercado financeiro por eventos não precificados).

Assim, as possibilidades de ganhos na bolsa passam essencialmente por encontrar eventos não precificados. Acontece que com a quantidade de analistas e investidores que monitoram as empresas cotadas em bolsa, procurar esses eventos não precificados é praticamente o mesmo que procurar uma agulha no palheiro.

Para aqueles que ainda assim querem investir em bolsa, cuidado com promessas milagrosas de investimento. Se for investir em bolsa, deixe o seu dinheiro com pessoas capacitadas e que dedicam praticamente 24 horas por dia para acompanhar as empresas cotadas em bolsa, pois a probabilidade desses profissionais encontrarem eventos não precificados é maior do que de pessoas de outro ramo. Mesmo assim, tome cuidado, pois muitas vezes esses profissionais também erram!


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Perfil
Samy Dana possui graduação e mestrado em Economia, doutorado em Administração pela EAESP e Ph.D in Bussiness. Atualmente é professor de carreira na Escola de Economia de São Paulo e Coordenador de International Affairs. Publicou e apresentou trabalhos acadêmicos e profissionais nacional e internacionalmente. Consultor de empresas nacionais e internacionais dos setores real e financeiro e órgãos governamentais. Autor de livro "10x sem juros" em coautoria com Marcos Cordeiro Pires.

Miguel Bandeira é graduando em economia pela EESP-FGV, Assistente de Pesquisa da Fundação Getulio Vargas, Consultor e Conselheiro da CJE-FGV. Possui certificação profissional CPA-20.

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