Nesses dois meses, oferecemos lotes pequenos de LFT, mas não vendemos porque as ofertas foram incompatíveis com os preços negociados no mercado secundário, disse Garrido. Segundo ele, os investidores continuam a acreditar que os juros continuarão a ser mantidos em níveis baixos por um bom tempo, o que desestimula a avaliação de que os papéis corrigidos pela Selic voltarão a oferecer rendimentos atraentes.
De acordo com o coordenador, o ciclo de redução da Selic mudou a expectativa dos aplicadores. A queda na rentabilidade do CDI [Certificado de Depósito Interbancário, que tem taxas similares aos juros básicos] e da Selic tem feito investidores migrarem cada vez mais para títulos prefixados e corrigidos pela variação de preços, declarou.
Em julho, pela primeira vez na história, o volume de títulos públicos, corrigidos pela inflação, negociado no mercado secundário (quando os títulos emitidos pelo Tesouro Nacional trocam de mãos entre os investidores), superou o dos papéis prefixados, com juros definidos com antecedência. No mês passado, as negociações de NTN-B e NTN-C, papéis atrelados a índices de preços, totalizaram R$ 6,19 bilhões, contra R$ 6,13 bilhões em negociações de LTN e NTN-F, títulos prefixados.
Apesar do interesse dos investidores por papéis indexados a índices de preços, Garrido nega que a procura seja motivada pela expectativa de que a inflação volte a subir no segundo semestre e em 2013. Nossa leitura mostra mais uma mudança de preferência, com investidores buscando alongar prazos [porque boa parte dos títulos indexados à inflação só vence em 2040 e 2050], em vez de apenas querer se proteger de inflação mais alta, alegou.
Segundo Garrido, a inflação de apenas um ano não altera a decisão de compra desses papéis de prazo mais longo. Como exemplo, ele citou um leilão no último dia 15 em que o Tesouro conseguiu trocar papéis de curto prazo por R$ 15 bilhões em NTN-B com vencimento entre 2016 e 2050.
Por meio da dívida pública, o governo pega emprestados recursos dos investidores para honrar compromissos. Em troca, compromete-se a devolver os recursos na data do vencimento com alguma correção, que pode ser definida com antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a variação da taxa Selic, da inflação ou do câmbio.

(por Alicia González)