26 de abril de 2012 - A presidente Dilma Rousseff vai analisar com frieza os possíveis vetos de polêmicos artigos incluídos no texto-base do Código Florestal aprovado na Câmara dos Deputados.
Conforme o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, Dilma analisará o caso com muita serenidade e frieza, com responsabilidade diante do país e de acordo com seus princípios.
O ministro fez referência à possibilidade de Dilma vetar diversos artigos do texto aprovado na quarta-feira na Câmara dos Deputados, com uma sólida votação apesar da rejeição de grupos ambientalistas, que o classificam como o início de um desastre ambiental.
Conforme as organizações defensoras do meio ambiente, as novas leis abrirão portas para uma maior degradação dos solos, e especialmente da Amazônia, assim como favorecerão a extensão das plantações agrícolas em áreas até agora protegidas.
Além disso, contemplam uma ampla anistia para os fazendeiros que, durante as últimas décadas e contra as leis atuais, desmataram áreas proibidas e mantêm nessas regiões uma intensa atividade agropecuária.
Durante sua campanha eleitoral, em 2010, quando já se discutia o projeto no Congresso, a agora chefe de Estado se manifestou contra a anistia e se comprometeu em vetá-la em caso de ser efetivamente aprovada.
Esse compromisso eleitoral foi lembrado hoje por organizações ambientalistas, que pediram a Dilma honrar sua palavra.
Um deles foi o grupo Greenpeace, que em comunicado afirmou que Dilma deverá vetar a nova lei, pois de outro modo correrá o risco de perder a Amazônia e sua reputação internacional em matéria de desenvolvimento sustentável.
Conforme a nota, divulgada hoje, o Brasil deu um passo decisivo para trás com um texto que representa uma derrota para a floresta amazônica em favor dos interesses de poucos.
O ativista Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace, apontou que o novo Código Florestal foi aprovado faltando poucas semanas para o Brasil receber a comunidade internacional para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável Rio+20, que será realizada em junho no Rio de Janeiro.
Todos os olhares estarão postos na presidente Dilma e ela elegerá qual é o caminho para o futuro desenvolvimento do Brasil, indicou Adario, quem ratificou que Greenpeace continuará recolhendo assinaturas no marco da campanha Veta Dilma, que início há meses em rejeição ao projeto agora aprovado no Congresso.
(Redação com agência EFE - www.ultimoinstante.com.br)