Quando há muitas notícias importantes com data para serem divulgadas, os mercados parecem dar uma pausa na quantidade de informações relevantes que são despejadas na cabeça dos investidores. Essa é uma semana assim. No Brasil, teremos a decisão do Copom sobre a nova taxa de juros, a ser divulgada hoje. O mais interessante nessa decisão é que, como a economia brasileira deu uma grande reduzida no seu ritmo de crescimento - dos chineses 9% no primeiro trimestre de 2010 contra o mesmo período de 2009 para modestos 1% no segundo trimestre de 2010 contra o mesmo período de 2009, de acordo com projeções do Ministro da Fazenda, Guido Mantega -, já há muitos analistas apostando em uma alta menor da taxa Selic, de 0,5 pontos percentuais, em vez dos 0,75 que se previam anteriormente. Mas como o Banco Central felizmente é independente e atua de modo a conter a inflação futura, será necessário aguardar o fim do dia para então tomar decisões.
Na Europa, a grande notícia que virá é o resultado do teste de estresse ao qual foram submetidos os maiores bancos do continente. O resultado sai no dia 23 e é considerado fundamental por analistas e investidores para saber qual é a verdadeira saúde das instituições financeiras da Europa. Isso é importante pois os bancos europeus são os maiores detentores de títulos das dívidas públicas de Grécia, Espanha, Portugal, Itália, Inglaterra e todos os demais países da Europa. Como esses países arriscam dar calotes gigantescos por conta de seus problemas estruturais, se os bancos não estiverem calçados para enfrentar esses percalços, a crise pode ser ainda maior. Por isso a expectativa.
A China apareceu nos notíciarios ontem como a maior consumidora de energia do mundo, superando pela primeira vez os Estados Unidos. Os chineses se apressaram em negar a informação, mas ela é até irrelevante. Relevante mesmo é saber se o governo chinês manterá ou não as medidas que adotou para conter o crescimento excessivo do país. Já começa a haver gente apostando que todas as restrições aos negócios cairão, por conta da redução da velocidade de retomada da economia mundial. Como a China é um país praticamente indecifrável, nenhuma aposta sobre o que eles farão é segura (talvez se chamarmos o polvo Paul ele possa ser mais assertivo?).
Os Estados Unidos não tem trazido notícias de impacto. A cada informação positiva vem uma negativa mas não tanto, e assim caminha a maior economia do mundo em uma recuperação constante e lenta. Porém, nesse ritmo lento, o presidente Barack Obama já aprovou as reformas da saúde e do sistema financeiro, de grande impacto na vida de muita gente. E até mesmo o poço de petróleo da BP parou de vazar! A notícia é boa, ainda que os impactos sobre as companhias que exploram óleo em águas profundas ainda não sejam possíveis de serem medidos. O mundo estará muito mais atento ao que elas farão, e a Petrobras, por contra do pré-sal, terá sobre si muito mais pressão pública.
Assim, esta é uma semana em compasso de espera. Há muita tensão e receio no ar e a volatilidade impera nos pregões, com quedas e subidas maiores que um por cento mais comuns que o costume. É necessário cautela além da média para poder aguentar esses solavancos e montar uma estratégia defensiva para proteger os investimentos. Quase todas as corretoras andam fazendo isso em suas carteiras recomendadas, escolhendo empresas que pagam dividendos e do setor varejista como escolhas menos sujeitas à volatilidade. Isso pelo menos até sexta, quando tudo pode mudar de novo.
Atenção, e Bons Investimentos!