O resumo da semana foi de dados mais fracos de atividade globalmente. Ao mesmo tempo, a inflação arrefece e as discussões caminham para uma necessidade menor de apertar as políticas econômicas.
Nos EUA, os números de inflação seguiram apresentando queda da taxa de variação nos últimos 12 meses, enquanto a recuperação da atividade segue perdendo intensidade, como mostrou o indicador do FED da Filadélfia que sinaliza mais uma queda do PMI dos EUA, que, ainda assim, deverá ficar acima dos 50 pontos (acima de 50 sinaliza expansão).
A ata do FED falou mais uma vez sobre a possibilidade de realizar estímulos monetários adicionais sobre a economia, mas não sinalizou que pretende fazer isso, a menos que a economia piore mais intensamente que o esperado.
Na China, a inflação desacelerou mais que o esperado, já a atividade ficou um pouco abaixo das expectativas do consenso dos analistas e, dessa forma, os dados mostraram menor necessidade de aperto das políticas econômicas para evitar pressões inflacionárias.
No Brasil, as vendas de varejo de maio ficaram abaixo do esperado pelo consenso dos analistas e mostram acomodação do consumo no segundo trimestre.
Além disso, os indicadores do setor de automotores apresentaram aumento de estoques e isso sugere desaceleração adicional da produção do setor nos próximos meses.
Já o IGP-10 registrou alta de apenas 0,05% com menores pressões para cima provocadas pelo item minério de ferro e em setores como químicos e metalurgia.
O que virá...
Nos EUA, teremos uma série de indicadores do mercado imobiliário, que devem mostrar significativa piora após o fim dos incentivos fiscais para compra de imóveis.
No Brasil, teremos o IPCA-15, que deve ficar em torno de 0,0% com importante deflação de alimentos, mas com melhora adicional dos núcleos. Além disso, indicadores de taxa de desemprego do IBGE de junho devem mostrar estabilidade ou alguma piora na margem com a desaceleração econômica e a nota do setor externo deve apresentar déficit em conta corrente com forte influxo de capitais e superávit do balanço de pagamentos.
Por fim, o Copom deverá definir a taxa SELIC para os próximos 45 dias. O consenso dos analistas é praticamente unânime em apontar alta de 0,75 p.p. que deve levar a taxa para 11,00% ao ano e há discussões mais intensas sobre a reunião de setembro. Acredito em mais duas altas de 0,75 p.p. levando a taxa SELIC para 11,75% a.a. no fim de 2010.