O resumo geral da semana foi de dados ruins de atividade nos EUA, que deixaram receios com relação à recuperação econômica do país e aumentou a exposição dos defensores do duplo mergulho, ou seja, que a recuperação atual será seguida por um novo período de recessão, que particularmente não considero o cenário mais provável, já que estamos assistindo a uma desaceleração do ritmo de crescimento global, inclusive no Brasil.
Nos EUA, o ISM de manufaturados apresentou queda mais forte do que era esperado, mas ainda indica forte ritmo de expansão da atividade industrial norte-americana.
O número de criação líquida de empregos do setor privado foi a grande decepção da semana para o mercado acionário norte-americano. Esse número deixa dúvidas com relação à força da recuperação do país e seu reflexo para o mercado de trabalho. Além disso, é favorável para uma demora adicional do FED em subir a taxa de juros e é na direção contrária à retirada de estímulos fiscais que tem sido discutida no congresso.
No Brasil, a produção industrial de maio registrou estagnação e surpreendeu as expectativas (o consenso esperava crescimento em torno de 1,5%). Esse número apresentou impacto significativo no mercado de juros e foi parcialmente influenciado por parada técnica programada do setor de refino de combustíveis, mas mesmo assim foi surpreendente, apesar de não indicar reversão da tendência de crescimento da produção industrial.
O relatório trimestral de inflação não trouxe grandes novidades em relação ao que era esperado. O crescimento estimado para 2010 pelo Banco Central passou de 5,8% para 7,3% e as projeções de inflação foram revisadas ligeiramente para cima. Entretanto, a trajetória das projeções do BCB se tornou mais benigna e consistente com as metas de inflação após o aperto monetário já realizado de alta de 1,5 p.p. até junho.
Por fim, o IGP-M apresentou forte desaceleração com menor pressão do item minério de ferro e registrou alta de 0,85%.
O que virá...
A próxima semana será fraca de indicadores nos EUA e trará muitos números de inflação no Brasil, que não devem assustar o mercado de juros.
Nos EUA, teremos apenas o dado de estoques no atacado, que deve apresentar algum aumento no fim do processo de re-estocagem pelo qual passa a economia norte-americana.
Além disso, a criação líquida de empregos começará a ser impactada negativamente pela demissão de temporários contratados para realização do censo norte-americano. Entretanto, o número de empregos criados no setor privado deve ficar em torno de 100mil.
No Brasil, teremos os números de vendas e produção de veículos, importantes coincidentes das vendas de varejo e da produção industrial. Pelos números de licenciamentos de veículos, deve-se esperar por nova queda das vendas de automotores no país.
Além disso, teremos o IPCA de junho que deverá registrar alta em torno de 0,10% com forte desaceleração do grupo alimentos e o IGP-DI, que deverá apresentar inflação próxima de zero com o fim do efeito da primeira alta do minério de ferro.