O resumo geral da semana é de receio em relação às conseqüências para o crescimento econômico a serem geradas com os profundos cortes orçamentários na Europa e de medidas de regulamentação do setor bancário norte-americano. No Brasil, os dados têm mostrado acomodação da atividade e inflação em queda com o fim do choque de preços de alimentos.
Nos EUA, os efeitos do fim dos subsídios para compra de residências tiveram impacto mais forte que o esperado e os dados de vendas de maio apresentaram fortes quedas.
A reunião do FOMC (Copom norte-americano) repetiu a indicação de reuniões anteriores de que manterá a taxa de juros baixa por um longo período de tempo e fez uma avaliação um pouco mais negativa da atividade dos EUA.
Os indicadores de atividades dos FEDs regionais seguem apresentando alguma desaceleração da atividade norte-americana, mas ainda em elevado ritmo de crescimento.
No Brasil, as contas externas mostraram mais do mesmo. Déficit em transações correntes com forte saída por remessa de lucros e dividendos e na balança de serviços e forte ingresso de capitais por investimento estrangeiro direto e em portfólio. O resultado líquido foi mais um mês de superávit do balanço de pagamentos.
O mercado de trabalho apresentou alguma acomodação do forte ritmo de crescimento dos meses precedentes. Assim, a geração de vagas não foi suficiente para alocar pessoas que passaram a procurar emprego recentemente e a taxa de desemprego subiu em maio.
Por fim, o IPCA-15 de junho apresentou alta de 0,19% e ficou ligeiramente acima das expectativas do consenso. O número do fim do mês deve ficar próximo a 0,05% com deflação substancial de alimentos como apresentado no número do IPCA-15, mas os núcleos devem seguir elevados apesar de algum arrefecimento.
O que virá...
A próxima semana terá indicadores muito importantes de atividade nos EUA e no Brasil. Além disso, o Banco Central do Brasil divulgará o relatório trimestral de inflação com suas projeções para 2010 e 2011.
Nos EUA, o ISM de manufaturados e de não-manufaturados de junho devem apresentar arrefecimento do forte ritmo de crescimento da atividade norte-americana como sugerem os indicadores regionais coincidentes.
Além disso, a criação líquida de empregos começará a ser impactada negativamente pela demissão de temporários contratados para realização do censo norte-americano. Entretanto, o número de empregos criados no setor privado deve ficar em torno de 100mil.
No Brasil, teremos a produção industrial de maio, que, de acordo com os dados coincidentes, deve apresentar alta em torno de 1,5% em relação ao mês anterior.
Além disso, teremos o relatório trimestral de inflação do BCB, que não deve sofrer forte alteração da projeção de inflação para 2011 e deve revisar a projeção de crescimento do PIB de 2010 para cima dos 5,8% anteriormente previstos pelo Banco Central.
Por fim, o IGP-M de junho deve apresentar forte arrefecimento com menores pressões altistas do minério de ferro e registrar alta abaixo de 1,00%.