O clima da semana foi ligeiramente mais positivo do que na semana passada com alguma redução da aversão ao risco devido, em grande parte, ao sucesso de alguns leilões de títulos soberanos para rolagem de dívida em países europeus como foi o caso da Espanha.
Nos EUA, o dado de vendas de varejo foi muito pior que o esperado com o impacto negativo da queda das vendas de materiais para construção. Por outro lado, os núcleos não foram tão ruins e aliviaram a surpresa negativa do número principal.
Por outro lado, a recuperação da confiança do consumidor medida pela Universidade de Michigan ajudou a reanimar os mercados com um número mais forte que o esperado. Os demais dados vieram em linha com as expectativas e não tiveram impacto importante sobre o mercado acionário.
Na China, os dados foram bons e ficaram muito próximos das projeções e não tiveram impacto importante sobre os mercados.
No Brasil, o PIB apresentou crescimento acima do esperado de 2,7% no primeiro trimestre de 2010, acima das expectativas da maior parte dos analistas. Entretanto, o aumento de estoques contribuiu com 1,7 p.p. desse aumento e reforça a perspectiva de desaceleração da atividade no segundo trimestre.
O IPCA registrou variação de 0,43% com piora dos núcleos e aparecimento de mais focos de pressões inflacionárias de demanda. Isso decorre da forte recuperação da atividade que tem consumido todos os fatores de produção ociosos. Além disso, o IGP-DI apresentou variação próxima ao antecipado no call de semana passada, mas ficou acima das expectativas do mercado, com o cômputo da alta do minério de ferro.
Os indicadores antecedentes de maio mostram forte desaceleração das vendas de varejo e forte crescimento da produção industrial, mostrando que os empresários seguem otimistas e, em parte, uma recuperação das exportações de manufaturados.
Por fim, o Copom elevou a taxa SELIC para 10,25% a.a. sem viés e por unanimidade. Esse evento teve pouca importância, já que foi antecipado por grande parte do mercado de juros e não houve alteração do comunicado após a decisão em relação à reunião passada.
O que virá...
A próxima semana será fraca de indicadores importantes de atividade nos EUA. No Brasil, pelo contrário, teremos muitos indicadores importantes.
Nos EUA, teremos os indicadores de inflação de maio, que devem mostrar praticamente ausência de pressões inflacionárias com a elevada capacidade ociosa da economia.
O dado mais importante deverá ficar por conta do número de atividade do FED da Filadélfia de junho, que é coincidente com o ISM de manufaturados e antecipa a atividade da economia norte-americana e deve mostrar que a recuperação da atividade manufatureira dos EUA segue forte.
No Brasil, teremos a ata do Copom, que deverá trazer uma avaliação mais detalhada de como o comitê vê a situação da Europa e como isso pode impactar o país.
O dado mais importante da semana deverá ser o número de vendas de varejo de abril, que deverá apresentar queda em relação ao mês de março.
Por último, teremos o IGP-10, que deve registrar forte elevação, ainda sob o efeito da alta do minério de ferro, mas esse impacto deve ser reduzido substancialmente nas próximas leituras dos IGPs.