O clima de aversão ao risco segue mantendo elevada a volatilidade dos mercados e prejudica o desempenho de ativos acionários. Além disso, a semana teve alguns indicadores ruins nos EUA, ainda que no Brasil, os dados de atividade sigam fortes.
Nos EUA, o PIB do primeiro trimestre foi surpreendentemente revisado para baixo com contribuição maior de estoques e menor de consumo. Além disso, a poupança aumentou em abril com consumo estável.
Os números de atividade de Richmond e de Chicago mostraram queda, mas ainda indicam expansão da atividade. Ou seja, apontam para crescimento, mas com desaceleração na margem.
No setor imobiliário, os dados surpreenderam para cima com o último mês de estímulo para compras de residências.
A confiança do consumidor do Conference Board foi positiva com destaque para as expectativas do consumidor enquanto a da Universidade de Michigan ficou estável.
No Brasil, o déficit de transações correntes foi mais que financiado pelo ingresso de capitais na conta financeira e houve superávit do balanço de pagamentos, que já acumula mais de 9 bilhões de dólares no ano.
O mercado de trabalho segue apresentando excelente desempenho e a taxa de desemprego ajustada sazonalmente foi para a mínima histórica da série iniciada em 2002.
Já os dados de crédito ajustados sazonalmente apresentaram queda mensal da concessão e desaceleração na variação anual, sendo que o crédito público manteve ritmo de expansão e representa risco “positivo” para a atividade.
Os dados do setor público apresentaram bom desempenho com a recuperação de receitas e chegaram a registrar superávit nominal do setor público. Acredito que o governo cumprirá a meta de superávit primário de 3,3% do PIB sem descontos de PAC/PPI.
O que virá...
A próxima semana terá muitos indicadores importantes de atividade nos EUA, mas a semana será fraca no Brasil com o feriado nacional na quinta-feira.
Nos EUA, teremos o ISM de manufaturados e o de serviços que devem mostram alguma acomodação, após muitos meses de alta como mostram os indicadores dos FEDs regionais. Com isso, indicarão que a atividade norte-americana segue em crescimento, mas com desaceleração.
A semana se encerra com o tradicional dado de mercado de trabalho na sexta-feira, que deve mostrar forte criação de empregos, mas com pouca variação da taxa de desemprego, pois mais pessoas passam a procurar emprego ao verem o mercado de trabalho melhorar.
No Brasil, teremos apenas a produção industrial de abril que deverá registrar queda como mostram os dados coincidentes. Acredito que a queda será de 2,0% em relação ao mês anterior, mas isso não representa reversão de tendência positiva para o crescimento da indústria.