Os temores de que se desenvolva uma espiral deflacionária na Zona do Euro se intensificaram esta semana. Além disso, medidas regulatórias nos EUA e Europa contribuíram para aumentar o clima de desconfiança com relação à intervenção dos governos no mercado financeiro.
Nos EUA, o núcleo de inflação ao consumidor atingiu nova mínima desde a década de 1960. Isso levanta dúvidas em alguns analistas sobre a necessidade do FED voltar a comprar ativos para ajudar a reflacionar a economia norte-americana, já que o desemprego está elevado e deverá seguir assim por pelo menos alguns trimestres.
No entanto, a ata da reunião do FOMC trouxe uma discussão sobre como se daria a venda de títulos em posse do FED. É importante lembrar que a reunião ocorreu antes da deterioração dos mercados, mas que os fundamentos econômicos permanecem os mesmos.
O dado de atividade do FED da Filadélfia mostrou que a recuperação da atividade norte-americana segue em bom ritmo.
No Brasil, o IPCA-15 ficou acima das expectativas ao registrar elevação de 0,63%. Destaque para o item energia elétrica, que captou o efeito de uma “nova” contribuição sobre as tarifas, que já existia em todo o país, menos no Rio de Janeiro.
O que virá...
A próxima semana terá muitos indicadores importantes tanto no Brasil como nos EUA e será importante observar como caminha a resolução dos problemas europeus. Acredito que uma expansão quantitativa (“quantitative easing”) seja a saída para a situação da Europa, gerando um pouco de inflação, mas evitando um colapso dentro da Zona do Euro, pois o diferencial de inflação entre os países “periféricos” e a Alemanha é elevado para reequilibrar a competitividade dentro da Zona do Euro.
Nos EUA, teremos os indicadores de atividade do FED de Chicago e de Richmond, que devem seguir em linha com o FED da Filadélfia e seguirão mostrando recuperação da atividade. O PIB do primeiro trimestre deverá ser revisado provavelmente para cima com mais dados positivos sobre a economia norte-americana. Além disso, haverá divulgação de uma série de dados sobre o setor imobiliário, que em grande parte foram positivamente influenciados pelo benefício fiscal do governo.
Por fim, indicadores de confiança do consumidor da Universidade de Michigan e do Conference Board serão importantes para avaliar se o ciclo de recuperação da economia norte-americana é sustentado.
No Brasil, teremos dados do setor externo de abril que devem mostrar déficit de transações correntes com forte influxo de capitais estrangeiros.
Serão divulgados também os dados de emprego do IBGE que devem mostrar um mercado de trabalho bastante apertado e com avanço do processo de formalização.
Adicionalmente, os dados de crédito e as contas públicas serão importantes para observar como está o comportamento da política fiscal e de crédito, que até aqui têm sido bastante estimulantes para a demanda agregada.
Por fim o IGP-M deverá fechar a semana com uma variação acima de 1,00%, captando o reajuste do minério de ferro.